“Dona Antónia, uma vida singular”

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No contexto de apresentação da exposição «Dona Antónia, uma vida singular», que pretende comemorar os 200 anos de nascimento de D. Antónia Adelaide Ferreira (A Ferreirinha), e que inaugurou recentemente na sede do Museu do Douro, temos o prazer de os convidar para uma visita guiada à exposição e aos vários espaços do Museu do Douro, com data a agendar conforme disponibilidade.

D. Antónia Adelaide Ferreira é ainda hoje um símbolo da iniciativa, da perseverança e da luta individual em defesa de um bem colectivo, o Douro e a Região Vinhateira. O amor que tão devotamente dedicou à terra manifesta-se em toda a sua obra, que perdura até aos nossos dias.

A exposição «Dona Antónia, uma vida singular» evoca o percurso de vida e obra de Dona Antónia, mulher singular no seu tempo, porque única e independente, as relações entre a família e a empresa no contexto da viticultura duriense e do comércio do vinho do Porto. A sua acção centrou-se essencialmente no campo da prática económica, aparentemente pouco interessada em deter qualquer protagonismo político. Proprietária, gestora de várias quintas que herdou e comprou, atenta a todas às iniciativas económicas que pudessem sustentar a empresa – Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto -, Dona Antónia procurou acima de tudo impor a qualidade do vinho do Porto – um vinho generoso ao paladar e cheio de espírito -, e foi esse um dos grandes objectivos da sua vida.

A sua vida como mulher pautou-se pelo desejo de ser e esforço de existir como ser humano, como filha, como mulher, como mãe, como empresária. O seu percurso rompeu com o mito do «eterno feminino», entendido como ligado à beleza, ao erotismo e sensualidade, frágil e dependente do sexo oposto, transformando-se ela própria no mito e símbolo da força do Douro, na forma como viveu no seu tempo, numa época de profunda crise e de mudanças decisivas.

Símbolo do empreendorismo, mas também do altruísmo e da generosidade. Ao destacarmos a faceta filantrópica e humanitária de Dona Antónia, não podemos deixar de referenciar uma frase interessante dita pela própria: «cada um na sua terra deve fazer tudo que seja para bem da humanidade» (1855). A sua acção não se limitou apenas à solidariedade social, foi mais longe. Dona Antónia contribuiu para o reforço económico da empresa que dirigiu e consequentemente para a riqueza do País, da Região onde viveu e onde criou oportunidades, para si, para a sua família, mas também para todos aqueles que com ela trabalharam.

A Região Vinhateira e aqueles que a fizeram, que partilharam da mesma afeição intensa pela vinha, que fizeram do Douro o grande amor e talvez a maior paixão das suas vidas, são dignos deste gesto e de muito mais. Assim saibamos honrar quem traz na voz e na alma a terra e o rio, Douro – sem dúvida, uma das mais belas lições de vida com que qualquer pessoa se pode confrontar.

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