A história do jogo que todos jogaram

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As verdadeiras lendas não morrem, e Tetris é um exemplo consumado de uma obra intemporal, que já foi considerado “o melhor jogo de todos os tempos” por publicações como a Electronic Gaming Monthly. Criado pela mente do programador russo Alexey Pajitnov em 1984, Tetris foi distribuído em praticamente todas as plataformas onde um jogo eletrónico poderia existir, desde consolas de jogos a PDAs, passando por telemóveis, leitores de MP3 ou até máquinas de calcular. Mas foi a versão para a Nintendo Game Boy, lançada em 1989, que realmente fez explodir a popularidade de Tetris, tornando-o num fenómeno planetário.

Em Portugal não era de todo invulgar ver, no dealbar dos anos 90, homens e mulheres de todas as idades debruçados sobre a popular consola portátil da Nintendo a empilhar e eliminar o maior número de linhas de peças possível. Para muitos, a versão Game Boy de Tetris foi o primeiro e o único jogo que experimentaram na vida.

Tetris não dependeu de hordas de zombies e extraterrestres para abater ou de simulações de assaltos violentos ou de conflitos armados para se ter tornado num dos mais viciantes, reconhecidos, icónicos e amados jogos de sempre. Mas isso não quer dizer que este intenso jogo de puzzles não tenha sido ele próprio uma peça no quebra-cabeças que foi a Guerra… Fria.

Em 1985 a União Soviética estava ainda de pé e o autor Alexey Pajitnov trabalhava na Academia Russa das Ciências, onde eram desenvolvidos projetos importantes para a antiga superpotência, como o programa espacial Sputnik. Tetris pertencia ao Estado Soviético e daí até começarem a surgir teorias da conspiração no Ocidente foi um passo. Especialmente quando Tetris ultrapassou a Cortina de Ferro e começou a ser jogado em todo o mundo – chegou a falar-se de um projeto soviético para lavagem cerebral ao Ocidente! O Kremlin como cenário do jogo original e as músicas – inspiradas em canções populares russas como “Kalinka”, ou até em O Quebra-Nozes, ballet de Tchaikovsky – terão ajudado a reforçar esta ideia de invasão soviética na mente dos mais desconfiados.

Se há jogo com uma aura de mistério em seu redor, é Tetris. O seu conceito abstracto, que coloca os jogadores a procurar a ordem onde existe o caos, e a suposta jogabilidade infinita despertaram variadas interpretações e debates. As histórias relatadas por jogadores que viam blocos de Tetris a cair em sonhos conduziram a estudos académicos sobre o “efeito Tetris” no cérebro – e a conclusão foi que o uso do jogo pode resultar numa atividade cerebral mais optimizada, ajudar a melhorar o pensamento crítico e lógico e até ajudar pacientes com problemas de stress pós-traumático.

A verdade é que desde o lançamento original, em 1985, Tetris tornou-se um símbolo planetário que se traduziu em centenas de milhões de cópias vendidas. Em 1996, os direitos do jogo passaram do Estado russo para a Tetris Holding, LLC.

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