Monte Selvagem valoriza o Sobreiro

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Classificada como a Árvore Nacional de Portugal no final do ano passado, por mérito das associações de Transumância e Natureza e Árvores de Portugal, o Sobreiro é peça central no parque Monte Selvagem, em Lavre, Montemor-o-Novo.

O parque está implantado numa floresta de sobreiros, vulgarmente designada por montado, um ecossistema muito particular, de delicado equilíbrio e que subsiste apenas na bacia mediterrânica sobretudo nas regiões a sul da Península Ibérica e com influência atlântica como é o caso de Portugal, que possui a maior extensão de sobreiros do mundo (730 mil hectares, cerca de 33% da área mundial).

O montado de sobro é legalmente protegido e há muito tempo considerado património nacional, sendo proibido o seu abate e incentivada a sua plantação e exploração.

Dada a constante preocupação em manter o equilíbrio ambiental da herdade onde o Monte Selvagem está inserido e a forte componente de educação ambiental do parque, são levados a cabo programas de protecção integrada contra pragas e infestações que atacam os sobreiros, o arranque destas árvores secas é feito com rapidez e rigor, bem como as operações de limpeza.

Executam-se planos de melhoria dos solos, as mobilizações do solo são criteriosas, bem como a limpeza das linhas de água e a manutenção da boa drenagem do solo são práticas correntes, procurando-se também que a tiragem da cortiça seja feita por equipas especializadas de modo a não provocar lesões nas árvores.

No Monte Selvagem – Reserva Animal, para além de todos os factores bióticos e abióticos proporcionados pelos sobreiros que aí vivem (servem de habitats e fontes de alimento para inúmeras espécies de aves, pequenos mamíferos, répteis e insectos, fornecem sombreamento, protecção contra a erosão, são fontes de bolota que serve de alimento para muitos animais, etc.), existem inúmeros equipamentos, dispostos por toda a área do parque, feitos com peças de sobreiro.

Peças que surgem do inevitável corte de árvores centenárias atingidas por várias pragas que afectam esta espécie ou apenas porque esgotaram o seu tempo de vida, e cujo destino final seria a lenha.

Numa parceria sustentável com a Natureza, o Monte Selvagem procura também encontrar funções para estes materiais fornecidos pela Natureza, sendo o parque já um exemplo na redução do consumo de matérias-primas novas.

O parque ensina detalhes sobre o ciclo de vida do sobreiro e usa a madeira e a cortiça do sobreiro na concepção dos habitats dos animais e em programas de enriquecimento ambiental para os mesmos; em ateliês didáticos; na construção de estruturas de delimitação do terreno e de apoio ao parque e aos visitantes, como cercas, paredes, mobiliário de escritório e loja, mesas, bancos e caixotes do lixo; na execução de sinalética direccional e informativa e na concepção de algum equipamento lúdico/pedagógico.

Com esta valorização do Sobreiro pretende-se dar a conhecer de uma outra forma esta árvore magnífica e alertar para a grande necessidade de encontrar formas de gestão sustentável do montado.

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