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2017-12-18

Noites de São Bento na galeria de arte São Roque

Fazendo coincidir com as Noites de São Bento, há já alguns anos a São Roque antiquário e galeria de arte, inaugura uma exposição de pintura.

Este ano, Maria Helena e Mário Roque optaram por uma exposição, “Preciosidades”, de objectos de arte de fusão, para falarem de viagens, para contarem as suas viagens ao longo destes vinte anos e a dos portugueses ao longo destes séculos. Trata se de um núcleo de peças Lusíadas, uma verdadeira viagem através da rota dos descobrimentos, não só do Kongo, mas também arte indo e cíngaloportuguesa, e ainda arte do extremo oriente onde incluímos sudeste asiático, sino e nipo portuguesa.

Verdadeiros objectos de luxo, estas preciosidades incluem objectos de madrepérola, cristal de rocha, tartaruga, gemas, ouro e prata e ainda em marfim, minuciosamente / habilidosamente trabalhados, adaptados e talhados pela mão do homem. Uma selecção rigorosa e previamente estudada em que os objectos falam por si.

Estas relíquias, para além de muito apreciadas na corte portuguesa cedo interessaram as cortes europeias. D. Catarina de Habsburgo, a consorte de D. João III, tem aqui um papel de destaque. Extremamente interessada e informada sobre as novidades provenientes da Ásia, coleccionou enorme número destes luxuosos artigos, partilhando-os também com muitos dos seus familiares repartidos por várias casas reinantes da Europa renascentista, o que contribuiu para formar as grandes colecções reais europeias, das quais destacamos a Kuntskammer de Rodolfo II da Áustria.

Salientamos nesta colecção, um cofre de tartaruga loura e madrepérola do séc. XVI, uma das produções mais sumptuosas exportadas da Índia para a Europa, frequentemente utilizadas como caixas de Hóstias e Relicários ou para transportar o Santíssimo Sacramento na Procissão de Sexta-feira Santa ou ainda como guarda jóias.

Ou ainda uma pequena colecção de pentes do séc. XVI, em marfim e rubis do Ceilão, com elevado requinte, peças muito apreciadas por D. catarina II e que frequentemente oferecia a outros monarcas.

São ainda de referir um grupo de peças em marfim de grande qualidade, da qual destacamos um Menino Jesus Bom Pastor de grandes dimensões, de grande qualidade escultórica que pertenceu à colecção do Comandante Ernesto de Vilhena. Existe também um belíssimo núcleo de adagas e polvorinhos mogóis. É de salientar que a corte mogol sempre foi uma grande apreciadora destes objectos e que muito antes da chegada dos portugueses já se faziam objectos preciosos de altíssima qualidade. A sumptuosidade e exuberância das jóias mogóis, estão bem patentes quer nos adereços femininos, quer nas jóias de ornamentação e de carácter bélico dos imperadores e de membros da Corte.

Para além da sua dimensão bélica as armas no Oriente, foram, desde sempre, um forte indicador de riqueza e estatuto social. A maior parte dos exemplares que hoje se conhecem são de tal elevado grau de requinte que mais parecem tratar-se de jóias e adornos, tendo a sua função original de defesa quase que um papel secundário e simbólico, nunca perdendo a sua funcionalidade letal.

Tal como as armas, os polvorinhos – particularmente aqueles utilizados em actividades lúdicas e de lazer, como a caça – eram ricamente ornamentados, constituindo peças muito requintadas e sofisticadas, autênticas preciosidades, destinadas por vezes a serem exibidas pelas altas elites como adereço de vestuário e símbolo de poder.

Noites de São Bento: 27 – 29 de Setembro – Horário: 19h-24h

+ sobre:
São Roque – Antiguidades e Galeria de Arte

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