Consumidores portugueses são os que mais reduzem despesas

O Observador Cetelem questionou os consumidores da classe média portuguesa sobre o que pensam fazer para manter ou melhorar o seu nível de vida e 83% não têm dúvidas em afirmar que vão reduzir as suas despesas, um valor muito acima da média europeia (65%). São dados apresentados na edição 2012 do Barómetro Europeu do Observador Cetelem, que analisa o impacto da crise financeira sobre as classes médias europeias.

A análise do Observador Cetelem revela ainda que as tendências de comportamentos de consumo são díspares entre a Europa Ocidental e a Europa de Leste. Enquanto os países ocidentais procuram reduzir despesas para manter/melhorar o nível de vida, os de leste procuram fazê-lo através do aumento dos seus rendimentos (trabalho). Os alemães destacam-se no seu grupo pelos bons desempenhos económicos que têm um impacto direto nos consumidores – mais confiantes no futuro 55% pensam em aumentar os seus rendimentos e 53% cortar nas despesas.

«As classes médias não acreditam muito num aumento dos seus rendimentos para contrariar a redução do seu poder de compra. Diminuir determinadas despesas tornou-se assim a resposta evidente para manter o nível de vida. Esta esperança traduz o sentimento das atuais classes médias de poderem ser as últimas a conseguir automaticamente mais dos que os seus pais», defende Diogo Lopes Pereira, responsável de marketing do Cetelem.

O Observador Cetelem procurou ainda saber junto dos inquiridos quais eram as suas preocupações em relação ao futuro. Os países mais afetados pela crise na Europa Ocidental (Itália, Espanha e Portugal) estão mais preocupados em ‘melhorar’ o nível de vida. Já nos países com maior poder de compra (Reino Unido, França e Alemanha), a principal preocupação é ‘manter’ o nível de vida. No caso específico de Portugal, a esperança de manter o nível de vida é uma preocupação para 32% dos inquiridos e a melhoria das suas condições um desejo para 43%. Portugal é também o país da europa ocidental que mais considera que reduziu o seu estilo vida nos últimos tempos (69% contra uma média europeia ocidental de 51%). Tal como os portugueses, os espanhóis também viram reduzido o seu estilo de vida – 61% dos inquiridos afirmou-o, ficando também muito acima da média europeia.

«Nesta análise, verificámos, apesar de não ser uma surpresa, o esquema geral do impacto da crise na sociedade europeia: a classe baixa sente todo o impacto da crise, a classe média sofre e a classe alta é a última a sentir os efeitos», acrescenta o responsável.

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