Mercer revela Top 10 das cidades mais caras do mundo

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Cidades europeias, africanas e asiáticas são as mais caras para expatriados devido a flutuações da moeda e do impacto da inflação em bens e serviços

  • Luanda é a cidade mais cara do mundo, pelo segundo ano consecutivo;
  • Quatro das dez cidades do Top 10 do ranking deste ano encontram-se na Ásia: Hong Kong (3), Singapura (4), Tóquio (7) e Shangai (10)
  • Uma refeição de fast food em Lisboa custa em média 4,95€ e em Luanda pode custar 13,89.
  • Em contrapartida, Luanda apresenta um custo de 1l de gasolina de 0,45€ e Lisboa 1,6€.

A Mercer acaba de lançar o estudo global sobre o Custo de Vida de 2014. Os resultados do estudo confirmam que os locais mais caros do mundo para expatriados são maioritariamente cidades europeias, africanas e asiáticas. Duas cidades africanas lideram a lista das cidades mais caras para expatriados. Embora não sejam normalmente reconhecidas como cidades com elevados níveis de vida quando comparadas com outras, Luanda, em Angola é a cidade mais cara do mundo pelo segundo ano consecutivo, seguida por N’Djamena, no Chade. Algumas cidades europeias e asiáticas continuam no Top 10 como é o caso de Hong Kong, a ocupar a terceira posição e Singapura, na quarta posição. Zurique saltou três lugares para assumir a quinta posição, com Genebra na sexta. Tóquio caiu quatro lugares estando, agora, na sétima posição.

Este estudo da Mercer – Custo de Vida 2014 – é considerado um dos mais fidedignos e completos do mundo e destina-se a ajudar empresas, bem como governos e outras entidades a determinarem subsídios de compensação para os seus colaboradores expatriados. Nova Iorque é utilizada como cidade-base, servindo de comparação para todas as outras cidades. Deste modo, os movimentos monetários são medidos em relação ao dólar americano.

As diferenças nos custos podem ser muito distintas. Por exemplo, um bilhete de cinema pode custar cerca de 6,7€ em Lisboa, em comparação com 15,77€ em Londres; e um litro de gasolina pode custar 0,45€ em Luanda, em comparação com 1,6€ em Lisboa (Figura 2). Estes são apenas alguns exemplos de infinitas comparações que podem ser encontradas ao confrontar os relatórios individuais de custo de vida por cidade, que ajudam as empresas no cálculo de um pacote salarial adequado ao custo de vida da cidade de destino.

Por outro lado, “As classificações em muitas regiões foram afectadas por eventos mundiais recentes, como por exemplo flutuações cambiais, inflação dos custos ao nível dos bens e serviços e volatilidade nos preços de alojamento”, refere Tiago Borges, responsável da área de estudos de Mercado da Mercer. “Enquanto Luanda e N’Djamena são cidades relativamente pouco dispendiosas para os locais, tornam-se muito caras para expatriados visto que os bens importados são de elevada qualidade. Por outro lado, encontrar alojamento seguro que vá ao encontro das expetativas dos expatriados pode ser uma tarefa desafiante e cara. É por esta razão que algumas cidades africanas aparecem no topo da classificação no nosso estudo.”

O estudo abrange 211 cidades de cinco continentes diferentes, comparando os custos de mais de 200 bens em cada local, incluindo alojamento, transporte, comida, roupa, artigos domésticos e entretenimento.

Outras cidades mencionadas no top 10 das cidades mais caras para expatriados da Mercer são Berna, Moscovo e Shangai. Karachi, que ocupa a 211ª posição, é a cidade menos dispendiosa do mundo para expatriados. O estudo revela que Luanda é três vezes mais dispendiosa do que Karachi.

De acordo com Tiago Borges, “Enquanto as multinacionais continuarem a reconhecer a importância de ter uma equipa global e as funções corporativas continuarem a prevalecer, devem estar preparadas para monitorizar e equilibrar o custo dos seus programas para expatriados. As entidades empregadoras necessitam de avaliar o impacto das flutuações da moeda, da inflação e da instabilidade política quando enviam funcionários para o estrangeiro, sendo esta uma forma de assegurar que mantêm funcionários talentosos ao oferecer pacotes de remuneração competitivos.”

As flutuações monetárias e o impacto da inflação nos bens e serviços influenciaram o custo dos programas de expatriados, bem como os rankings das cidades.

“É interessante perceber que diversas cidades mudaram de posição na lista este ano, devido a grandes aumentos tanto nos custos de alojamento como nos níveis de procura, somando a uma moeda local forte. Dhaka e Nairobi (ambas 117) e o Dubai (67) subiram para 37º, 30º e 23º lugar, respetivamente”, conclui.

Europa, Médio Oriente e África

Quatro cidades europeias permanecem no top 10 da lista das cidades mais caras. Zurique (5) é a cidade europeia mais dispendiosa da lista, seguida por Genebra (6) e Berna (8). A Suíça continua a ser um dos locais mais caros para expatriados devido à ligeira apreciação do franco suíço contra o dólar americano. Moscovo (9) e São Petersburgo (35) caíram sete e doze posições, respetivamente, devido a uma depreciação do rublo em comparação com o dólar americano.

No geral, as cidades da Europa Ocidental subiram todas no ranking principalmente devido ao fortalecimento das moedas locais comparativamente ao dólar americano. Mais concretamente, cidades no Reino Unido e na Alemanha comportaram as maiores subidas no ranking, com Glasgow (108) a subir quarenta e nove lugares desde 2013, enquanto Aberdeen (94) e Birmingham (90) subiram trinta e quatro e quarenta e cinco lugares, respetivamente. Munique (55) aumentou vinte e seis lugares relativamente ao ano passado, Frankfurt (59) subiu vinte e quatro lugares.

Paris (27) subiu dez posições relativamente ao ano passado, Milão (30), subiuonze lugares, Roma (31), escalou treze e Viena (32) ascendeu dezasseis posições.

Como adianta Tiago Borges, “Apesar do aumento moderado de preços na maioria das cidades europeias, grande parte destas sofreu o efeito derivado de umaligeira valorização do euro face ao dólar americano, o que provocou a subida da maioria das cidades da Europa Ocidental no ranking. Houve alguns aumentos nos custos de alojamento, devido a uma forte procura de arrendamentos, o que também originou a ascensão no ranking de algumas cidades europeias, mais concretamente Copenhaga, Amesterdão e Frankfurt.”

Muitas cidades da Europa Oriental e Central, no entanto, caíram no ranking como resultado da desvalorização de moedas locais contra o dólar americano. Praga (92), Almatty (111) e Minsk (191) caíram dezanove, dezasseis e quatro lugares respectivamente.

No Médio Oriente, Tel Aviv (18) permanece como a cidade mais cara da região para expatriados, seguida de Beirut (63), Dubai (67) e Abu Dhabi (68). Jeddah, na Arábia Saudita (175) continua a ser classificada como a cidade da região menos dispendiosa. “Várias cidades no Meio Oriente deram um salto no ranking, estando a ser empurradas pelo decréscimo de outras localizações bem como pelo forte aumento dos custos de alojamento para expatriados, particularmente em Abu Dhabi e no Dubai.

Algumas cidades africanas continuam com uma classificação elevada no estudo de 2014, o que reflete custos de vida elevados e preços altos de bens para funcionários. Luanda (1) permanece como a cidade mais cara para expatriados em África e globalmente, e Ndjamena segue em segundo lugar. Vitória, Seychelles (13) é a seguinte cidade mais cara em África, seguida por Libreville, Gabão (19). Na África do Sul, a Cidade do Cabo (205) caiu oito lugares no ranking, refletindo a desvalorização que o rand sofreu comparativamente ao dólar americano.

América

As cidades nos EUA ascenderam no ranking não só devido à relativa estabilidade do dólar americano face às outras moedas, como pela queda significativa de algumas cidades noutras regiões, o que resultou na subida das cidades americanas na lista. Um aumento no mercado de arrendamento puxou Nova Iorque 8 lugares para a 16ª posição, a cidade da região mais cara no ranking. Los Angeles (62) subiu 10 lugares desde o ano passado, enquanto São Francisco (74) saltou dezoito lugares. Entre outras cidades principais dos EUA, Honolulu (97) galgou vinte lugares, Miami (98) subiu dezasseis e Boston (109) escalou catorze posições. Cleveland (167) e Winston Salem, Carolina do Norte (182) continuam como as cidades menos dispendiosas do estudo para expatriados.

De acordo com o estudo, “Apesar de termos assistido a uma subida de cidades americanas no ranking deste ano, em parte devido à força do dólar americano, é importante referir que os custos mudam consoante a volatilidade da moeda, o que torna os custos dos no estrangeiro, umas vezes maiores e outras menores.”

Na América do Sul, São Paulo (49) é posicionada como a cidade mais cara, seguida pelo Rio de Janeiro (65). No entanto, ambas caíram trinta e trinta e seis posições, respetivamente, como resultado da desvalorização do real brasileiro contra o dólar americano, apesar dos aumentos nos preços de arrendamento. Buenos Aires também caiu significativamente este ano para 86 na classificação, após a desvalorização da moeda, e apesar de um forte aumento no preço de bens e serviços. Outras cidades na América do Sul que tiveram uma queda na lista das cidades mais caras para expatriados foram Santiago, no Chile, que desceu vinte e cinco posições ficando em 88º lugar e Bogotá, que passou para 98 após cair trinta e oito posições. Manágua, Nicarágua (207) é a cidade menos dispendiosa do continente da América do Sul.

Como explicado, a taxa de câmbio tem um grande impacto na classificação de cidades. Este ano, a Mercer deixou Caracas fora do ranking devido a diversas situações de taxa de câmbio complexas; a sua classificação teria uma grande variação dependendo da taxa de câmbio oficial seleccionada.

As cidades canadianas desceram no ranking deste ano com a cidade do Canadá com a posição mais alta, Vancouver, a cair trinta e dois lugares para a 96ª posição. Toronto (101) caiu trinta e três posições, enquanto Montreal (123) tombou vinte e oito posições. A classificação de Calgary desceu para a 125ª. “O dólar canadiano enfraqueceu significativamente comparando com o dólar americano, o qual é responsável pelas principais descidas registadas no estudo deste ano”.

Àsia Pacífico Quatro das dez cidades do Top 10 do ranking deste ano encontram-se na Ásia. Destas, a mais cara, Hong Kong (3), subiu três lugares desde o ano passado. Singapura (4) é a cidade que se segue mais cara da região, ganhando uma posição em relação ao ano passado, seguida por Tóquio, a qual se encontra na sétima posição, tendo caído quatro lugares este ano. Ascendendo quatro lugares desde o ano passado, Shanghai (10) é a próxima cidade Asiática na lista, com Beijing atrás (11), Seul (14) e Shenzhen (17).

O estuda da mercer demonstra também que as Cidades japonesas caíram no ranking deste ano como resultado da desvalorização do yen em relação ao dólar americano”. “No entanto, as cidades chinesas subiram na classificação, incluindo Shanghai, Beijing, e Shenzhen, devido à valorização do yuan chinês.”

As cidades australianas testemunharam algumas das quedas mais acentuadas deste ano, atendendo à depreciação da moeda local em relação ao dólar americano. Sydney (26), a cidade australiana do ranking mais cara para expatriados, e Melbourne (33) caíram dezassete lugares enquanto Perth (37) desceu dezanove lugares.

Mumbai (140) é a cidade mais cara da Índia, seguida por New Delhi (157) e Chennai (185). Bangalore (196) e Kolkata (205) são as cidades indianas menos dispendiosas do ranking. Noutros lugares da Ásia, Bangkok (88) desceu vinte e dois lugares desde o ano passado. Kuala Lumpur, Malásia, ocupa a 115ª, seguida por Jakarta, Indonésia que se encontra na 119ª, caiu quarenta e oito lugares desde 2013. Hanoi saltou três posições para a 113ª posição. Karachi, Paquistão (211), continua a ser a cidade da região menos cara para expatriados.

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