Doença respiratória ocupacional – Especialistas identificam profissões de risco

Author: Share:
doenca-respiratoria-ocupacional-especialistas-identificam-profissoes-risco

Há profissões classicamente associadas ao risco de doenças respiratórias ocupacionais. Trabalhadores em minas, pedreiras, fundições, trabalhadores que utilizam jato de areia, metalúrgicos ou profissionais da indústria naval, acabam por ser profissões de risco mas começam a surgir outras profissões associadas a risco de desenvolvimento de pneumoconioses, são exemplo os trabalhadores de conglomerados artificiais de quartzo ou técnicos de medicina dentária.

Segundo Aurora Carvalho, Diretora do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia «em Portugal, particularmente no norte do país, a silicose é a uma das doenças respiratórias ocupacionais mais prevalente e atualmente está associada fundamentalmente profissões relacionadas com a extração de pedra». Como explica a especialista, trata-se de uma das doenças pulmonares ocupacionais mais antigas mas continua a causar morbilidade e mortalidade significativas em todo o mundo.

A incidência de doenças respiratórias ocupacionais nos últimos anos tem vindo a diminuir em países desenvolvidos mas, mesmo nesses países, continua a ser responsável por morbilidade e mortalidade significativa no contexto de patologia ocupacional, o que se deve, em parte, ao aparecimento de novas profissões de risco para pneumoconiose.
Sobre prevenção e tratamento Aurora Carvalho revela que «grande parte destas doenças são preveníveis mas não há tratamento dirigido à doença. Podemos aliviar sintomas, tratar complicações, administrar oxigénio se o doente desenvolve insuficiência respiratória. Nas fases avançadas da doença o transplante pulmonar acaba por ser uma alternativa para estes doentes».

Para António Jorge Ferreira, do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Coimbra que abordou também a questão das doenças respiratórias ocupacionais refere que «apesar de possuírem uma elevada repercussão na qualidade de vida dos trabalhadores, estamos perante um grupo de doenças respiratórias que se encontram subavaliadas».

Com maior foco na asma ocupacional, António Jorge Ferreira salienta que esta é uma patologia cada vez mais reconhecida como uma importante causa de doença profissional e de incapacidade para o trabalho. «Os seus números têm vindo a aumentar a nível internacional, com particular impacto nos países mais industrializados. Trata-­se de uma doença caracterizada por limitação variável do fluxo aéreo ou hiperatividade brônquica que tem origem nas condições de trabalho não favoráveis.» A asma ocupacional pode persistir até mesmo vários anos após a remoção da exposição ao agente causal, principalmente quando o paciente teve sintomas por um longo período antes da cessação da exposição. «Face a esta realidade é fundamental que exista um sistema de vigilância nos locais de trabalho, assegurado por médicos do trabalho e por técnicos de higiene e segurança, de modo a promover a melhoria das condições de trabalho pela eliminação de substâncias nocivas e pela implementação de sistemas de ventilação que permitam aumentar a qualidade do ar», acrescenta o médico pneumologista.
Segundo o especialista em doenças respiratórias ocupacionais «apesar do esforço que tem vindo a ser desenvolvido no sentido de identificar determinadas patologias, nem sempre existe uma associação direta da causa/efeito. Em termos futuros, preconiza-se um esforço global de melhoria contínua das condições de saúde e segurança no trabalho de forma a minimizar o risco e impacto das doenças profissionais em Portugal, nomeadamente na sua vertente respiratória».

Pneumologistas de todo o país estarão reunidos até amanhã para debater os principais desafios profissionais e técnico-científicos desta especialidade médica. Com um novo recorde em termos de participação científica, Venceslau Hespanhol refere que «a Pneumologia é uma especialidade em que a inovação se está a generalizar, ao nível técnico-científico, nomeadamente no que concerne ao conhecimento mais profundo das doenças e à nossa capacidade de identificar e interferir nos mecanismos subjacentes à doença, sempre tendo em vista à melhoria do prognóstico global dos doentes».

Informação relacionada

Deixar um comentário