Jornalistas recorrem pouco às redes sociais como fonte noticiosa

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As fontes tradicionais ainda mantêm um lugar privilegiado para os jornalistas na construção da notícia, revela um inquérito realizado às redações dos canais televisivos RTP, SIC, TVI, CMTV e Porto Canal. O estudo foi realizado por um grupo de trabalho da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) – no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação (2015/2017) – e os resultados globais são agora divulgados pela Agência de Comunicação – COMUNICAR-se – por ocasião do seu 1.º aniversário.

Partindo do pressuposto de que a Internet e as plataformas de Social Media, nomeadamente, as redes sociais transformaram-se numa ferramenta essencial à prática jornalística e a sua utilização, como fonte de informação, é uma das muitas metamorfoses provocadas no jornalismo, o objetivo do estudo foi perceber de que forma os jornalistas recorrem às novas plataformas digitais de interatividade social como fontes noticiosas, nomeadamente, o Facebook (por ser a rede social mais utilizada); o Twitter (por ser o microblogue com mais utilizadores) e o Youtube (por ser o vídeo storage com mais utilizadores).

Raquel Garcez Pacheco, diretora da Comunicar-se (agência de Comunciação envolvida no estudo), informa que a oportunidade de divulgar os resultados globais do estudo surge no âmbito do 1º aniversário da empresa que lidera e que, pretende reforçar o perfil atento e participativo da agência como player no setor da comunicação.

“Com este estudo pretendemos evidenciar que o nosso envolvimento, atenção e intervenção no mercado da comunicação está para além da consultoria, pois assumimos um papel ativo e queremos colaborar dando in-puts ao setor. Relativamente à importância deste trabalho de investigação – que serviu para sentir o pulsar das redes sociais como nova fonte de informação emergente – reflete-se numa visão analítica global do cenário atual da interdependência entre jornalistas e fontes de Social Media. Só não podemos particularizar os resultados porque são, naturalmente, confidenciais”, explica a responsável da Comunicar-se.

Para a consultora de comunicação, a massificação e velocidade da informação obrigam a uma progressiva adaptação do Jornalismo às novas formas de comunicação. “Hoje, o ritmo vertiginoso da informação perdeu-se nas redes sociais, dando lugar à instantaneidade que se assume, cada vez mais, como um conceito dominante. Este processo permite que um acontecimento se propague rapidamente e circule de forma incontrolável podendo levar os jornalistas – pressionados pelas características do próprio meio – a adotarem as redes socias como fontes, sem que a informação dos mesmos se constitua fidedigna”, defendendo que, “a credibilidade dos factos e o contraditório devem sempre assumir um papel preponderante.”

Conclusões do estudo:

As Redes Sociais ocupam um lugar ainda pouco relevante nas redações dos jornais em estudo enquanto fonte noticiosa, resultado do desprestígio, em termos de credibilidade, que é atribuído ao conteúdo que neles é publicado.

Embora os jornalistas possam supervisionar com frequência as informações que circulam no Facebook, Twitter e Youtube – devido ao lugar que estas plataformas ocupam hoje na vida dos indivíduos e enquanto veiculadoras de informações que podem ter interesse jornalístico -, as fontes tradicionais mantêm um lugar privilegiado no processo noticioso.

Na relação dos inquiridos com as redes sociais, em contexto profissional, o Facebook é o canal mais utilizado como fonte noticiosa.

Metodologia do Estudo:

Questionário (anónimo): perguntas relacionadas com os hábitos dos jornalistas na construção das notícias.

Amostra: jornalistas dos canais televisivos da RTP, SIC, TVI, CMTV e Porto Canal das delegações do Porto e que têm responsabilidade direta na produção de conteúdos jornalísticos – total 88 jornalistas.

Respostas: dos 88 inquéritos distribuídos, obteve-se 60 respostas (RTP = 19; SIC = 10; TVI = 8; Porto Canal = 16; CMTV = 7), equivalendo a uma taxa de retorno de 68%, validando a amostra.

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