Portugueses mais otimistas, mas moderados no consumo

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Este ano, os portugueses estão mais otimistas em relação ao estado atual e futuro da economia nacional, contudo revelam-se moderados nas suas opções de consumo. De acordo com o Estudo de Natal 2017 da Deloitte, as famílias portuguesas preveem um gasto total de 338 euros por lar, repartido entre presentes (53%), alimentação e bebidas (34%) e eventos sociais (13%). Este valor representa um pequeno decréscimo face ao mesmo indicador apurado em 2016 (359 euros) e fica significativamente abaixo dos 550 euros no Reino Unido ou dos 526 em Espanha.

“O principal destaque nesta edição é a evolução muito favorável das expectativas dos consumidores portugueses em relação à sua situação económica e poder de compra. Pela primeira vez, desde que o estudo é realizado, Portugal é mais otimista de todos os países analisados e aquele onde se observou a maior evolução face ao ano passado”, destaca Pedro Miguel Silva, Associate Partner de Retail & Consumer Products da Deloitte.

Segundo o estudo, entre 2009 e 2014 assistiu-se a uma queda superior a 50% no consumo estimado pelos portugueses para a época natalícia, de 620 euros para 270 euros por agregado familiar. Esta tendência inverteu-se a partir de 2014, observando-se nos dois anos seguintes uma tendência crescente.

A distribuição do consumo previsto para este ano mantém-se idêntica à do consumo declarado no ano anterior: dos 338 euros estimados para esta quadra, as famílias portuguesas preveem gastar 179 euros em presentes, 115 euros em alimentação e bebidas e 44 euros em eventos sociais.

As promoções (50%), a situação económica mais segura (38%) e o aumento do rendimento disponível (32%) são referidos como os principais motivos para aumentar a despesa durante as festividades de Natal e Ano Novo. O facto de a situação económica estar mais segura ganha relevância face a 2016, passando de 18% para 38%. Pelo contrário, a necessidade de diversão e evitar pensar na incerteza económica perde relevância face ao ano passado, embora continue a ser o motivo mais referido pelos europeus.

Portugal é o país mais otimista quanto ao estado atual e futuro da economia

No geral, os europeus sentem-se mais confiantes em relação ao estado atual da economia, embora a média europeia se mantenha ainda negativa. Portugal registou uma evolução muito favorável, sendo neste momento o mais otimista de todos os países incluídos no estudo. Em 2017, 39% dos inquiridos a nível nacional avaliam a situação atual como positiva (15% em 2016), face aos 20% que percebem a situação atual como negativa (49% em 2016).

Relativamente ao estado futuro da economia, a maioria dos países europeus, incluindo Portugal, tem uma expetativa de evolução igualmente positiva, com apenas a Grécia a apresentar um saldo desfavorável nas respostas dadas. Neste indicador, Portugal continua a ser o país mais otimista de todos os países analisados, com um saldo positivo de 32%, um valor que é consideravelmente superior ao do ano passado (4%).

Dois terços dos portugueses inquiridos consideram que o Orçamento do Estado (OE) para 2018 terá um impacto positivo ou neutro no seu comportamento de compra. O segmento entre os 35 e 54 anos é o que espera maior influência do OE no seu comportamento.

Aumento do poder de compra aumenta expetativa de gastos das famílias

A perceção geral dos países inquiridos face à evolução do seu poder de compra tem-se mantido relativamente estável desde 2009, com um saldo entre respostas que tem variado entre os 20 e 30 pontos negativos. Este ano, a média europeia foi de -20%, o valor mais alto registado desde 2011.

Portugal é o único país que sente que o seu poder de compra evoluiu favoravelmente face ao ano passado. O saldo entre respostas positivas e negativas é, este ano, de +2%, o que representa uma subida de 25 pontos percentuais face a 2016, ano em que se reportou um saldo negativo de -23%.

Nota técnica
O Estudo de Natal 2017 abrangeu 10 países e foi desenvolvido com base numa amostra representativa de consumidores europeus, num total de 8.154 inquiridos, dos quais 762 portugueses, durante o mês de outubro de 2017.
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