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2018-12-14

Desafio de cortar a respiração quer pôr os portugueses a respirar por uma palhinha

“A falta de ar é uma situação assustadora”, confirma Isabel Saraiva, vice-presidente da Respira, Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e outras Doenças Respiratórias Crónicas. Mas falar é fácil. O difícil é senti-lo, como acontece com estes doentes e, acima de tudo, viver assim. É por isso que, a propósito do Dia Mundial da DPOC, que este ano se assinala a 21 de novembro, a Respira, a Fundação Portuguesa do Pulmão, e a APMGF (Associação Portuguesa de Medicina Geral de Familiar) representada pelo seu Grupo de Estudos GRESP (Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF), com o apoio da Boehringer Ingelheim, desafiam os portugueses a tapar o nariz e respirar através de uma palhinha, inspirar e expirar e fazê-lo, repetidas vezes, para dentro do pequeno tubinho. Porque este é também o desafio diário de quem vive com DPOC, um desafio de cortar a respiração.

Os pulmões vão fazer um esforço extra, as mãos vão suar e as pessoas vão poder parar quando quiserem, ao contrário dos 800 mil doentes em Portugal, a quem a doença corta a respiração a cada minuto. Para ajudar na divulgação, pede-se a quem aceitar este desafio que registe, com uma fotografia, esse momento de bravura e o partilhe nas redes sociais, com #cortararespiração. Para que, juntos, possamos dar um novo ar ao ar que os doentes sentem cortado.

“Esta é uma forma de chamarmos a atenção das pessoas para a sua saúde respiratória”, explica Isabel Saraiva. Isto porque, acrescenta, “a DPOC continua a ser subdiagnosticada, já que os sintomas não são valorizados”. De facto, acrescenta Rui Costa, especialista do GRESP, “as pessoas reconhecem a bronquite crónica, mas a DPOC ainda não”.

Tosse, cansaço frequente, dificuldades respiratórias são sintomas que, ainda que sentidos por muitos, tendem a ser desvalorizados, sobretudo pelos fumadores, os que mais sofrem com a doença. “Noventa por cento dos casos de DPOC estão relacionados com o tabaco”, esclarece José Alves, da Fundação Portuguesa do Pulmão, que junta outro número: “Um quinto dos fumadores vão desenvolver DPOC”. É por isso que realça a importância do diagnóstico cada vez mais precoce. “Não podemos esperar pelos 40 anos para fazer as espirometrias, o exame que confirma a DPOC. Temos de o fazer mais cedo, mesmo junto dos fumadores jovens, porque a doença leva a uma perda da função respiratória que não é recuperável. Por isso, quando mais cedo for detetada, menor será essa perda”.

Rui Costa concorda que a espirometria é “um exame essencial, fundamental e obrigatório”. No entanto, nem sempre de fácil acesso. “A nível nacional, há uma iniquidade no acesso a este exame, que a rede nacional de espirometrias tem procurado colmatar.”

Para os doentes, são vários os desafios. Isabel Saraiva identifica os principais e começa por “deixar de fumar. Isto é muito difícil e não basta dizer que se vai deixar, mas é preciso procurar ajuda juntos das consultas de cessação tabágica”. Depois, manter alguma atividade, o que também nem sempre é tarefa fácil. “Os doentes devem andar, fazer exercício, mas como se cansam muito, costumam defender-se ficando parados.”

“Os doentes com DPOC são dos mais sedentários”, confirma Rui Costa. “Como têm dificuldade em respirar, vão evitando fazer exercício ou atividades da vida diária e isso leva a uma atrofia muscular, por alterações ao nível musculoesquelético. Quanto mais ativo fisicamente, melhor o prognóstico e melhor a sobrevida. Mesmo que seja difícil, em vez de uma caminhada de 30 minutos, devem fazer caminhadas mais curtas, ao longo do dia”.

À necessidade de exercício, José Alves junta a reabilitação respiratória, “que historicamente aparece no fim do tratamento, quando não há muito mais a fazer, quando de facto pode e deve ser feita desde o início, mesmo que não haja ainda a questão da falta de oxigénio. E pode ser feita por profissionais fora do ambiente hospitalar”.

No entanto, como salienta Isabel Saraiva, ainda que esta seja “uma das formas mais eficazes de dar aos doentes uma melhor qualidade de vida, há poucos centros que o disponibilizam e a maioria são nos hospitais, com ambientes que não são bons para os doentes com DPOC”.

A propósito deste Dia Mundial da DPOC, José Alves deixa duas mensagens simples, que podem fazer a diferença. “Quem não fuma, nem vale a pena começar. Para os fumadores, o conselho é fazer o diagnóstico tão precoce quanto o possível.”

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