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2019-01-19

Como proteger a cadeia de distribuição perante a incerteza económica

Por Luis Pardo, CEO e Conselheiro Delegado da Sage Ibéria

As empresas em todo o mundo estão a sentir insegurança sobre o futuro das suas cadeias de distribuição. Com as grandes economias, como Estados Unidos e o Reino Unido, a rever os seus acordos comerciais, os acordos herméticos alcançados há anos atrás estão a ser ameaçados.

Durante os últimos cinquenta anos, o comércio sofreu uma transformação sem precedentes fruto da globalização que, em vez de trazer o caos, brindou-nos com um mundo de possibilidades. O consumidor pode aceder a uma grande variedade de produtos a preços reduzidos e com um nível de comodidade que era inimaginável pelas gerações anteriores. Apenas em 2017, os Estados Unidos importaram bens no valor de 2.300 milhões de dólares, de praticamente de todos os seus parceiros de mercado.

A reinvenção do mercado global

O consumidor pode comprar, em qualquer dia, um produto produzido na China através de um Marketplace online sediado nos Estados Unidos, com partes produzidas em Taiwan, que contenha metais das minas da Rússia e refinados em fábricas na Índia. Nem sequer as empresas mais pequenas se apoiam num único fornecedor. Pelo contrário, fazem negócio com um grande número de pequenos fornecedores o que lhes permite maximizar as suas poupanças e trabalhar com maior flexibilidade. Isto é o que chamamos de efeito Walmart, um fenómeno em que se reduz significativamente o preço, mas em que se aumenta a complexidade dos processos.

Por exemplo, uma empresa produtora de calças de ganga escolheria importar o algodão do mercado em que esta matéria seja mais barata para serem cosidas num país com o menor custo de mão de obra. Para o consumidor, isto significa comprar mais barato; e para os negócios, obter uma maior margem. A compra e venda de produtos intermédios – produtos que se utilizam para produção de bens para o consumidor final – representam mais de metade do comércio mundial.

As empresas que conseguirem negociar pela rede de relações, transformando as mercadorias mais complexas em tecnologia, o que permitiu a geração de eficiências nunca antes imaginadas.

Sobrevivendo à disrupção

Ainda assim, as recompensas e benefícios provenientes da globalização não estão isentos de riscos. Por exemplo, um furacão no Vietnam ou um corte de eletricidade na China poderiam facilmente custar milhões de dólares a uma empresa localizada nos Estados Unidos, atrasando as suas operações durante semanas. Em 2017, um ciberataque aos portos europeus causou atrasos prolongados no transporte de cargas marítimas em todo o mundo, afetando também as empresas situadas fora do continente europeu.

Tal como acontece com estes acontecimentos imprevisíveis, a instabilidade política pode complicar a já complexa rede de risco com que vivem as empresas. As empresas necessitarão de ser mais ágeis e reagir rapidamente face a uma maior variedade de fatores desconhecidos se querem sobreviver e crescer. Se o atual panorama de instabilidade política se manifestar em impostos mais altos, controlos fronteiriços mais restritos ou maiores regulações de saúde e segurança, as empresas que façam um planeamento mais eficiente estarão em melhores condições de abordar qualquer disrupção. Este “foco concreto” poderia ser tanto em termos da correta planificação da cadeia de abastecimento como de garantir que têm a melhor tecnologia para lidar com estas situações.

Ameaça ou oportunidade?

Os benefícios de contar com uma cadeia de distribuição ágil e eficiente vão mais além das poupanças de eficiência ou a rápida intervenção nos momentos-chave. Com o aumento do “consumo responsável”, as empresas que possam facultar informação sobre as suas próprias cadeias de distribuição serão beneficiadas. Atualmente, um terço dos consumidores escolhe comprar a empresas que asseguram estar a contribuir para o bem social ou ambiental. As empresas que possam validar fielmente a origem dos produtos terão uma oportunidade de crescimento num ambiente que cada vez mais preocupa o consumidor atento ao consumo de produtos de origem sustentável.

Em vez de ser pessimista com o impacto nos negócios das alterações potenciais que se avizinham no horizonte, há que recordar que a disrupção só virá acompanhada de oportunidades. As empresas que se posicionem e se preparem efetivamente para estas mudanças obterão uma vantagem competitiva. As alterações nas taxas e acordos comerciais podem aumentar os resultados das empresas, mas estas vantagens dependem do facto das empresas terem a infraestrutura necessária para tirar o máximo partido, tanto em termos de tecnologia como de capital humano.

A mudança nunca é fácil, independentemente dos benefícios que implique. Quando se trata de funcionalidades de negócio, como é o caso da cadeia de distribuição, que têm um papel fundamental na eficiência e rentabilidade de uma empresa, o que está em jogo é ainda mais importante. Contudo, ao centrar-se nas possíveis oportunidades, as empresas posicionam-se para o êxito.

Podemos especular sobre como será o novo panorama económico, mas a verdade é que ninguém pode estar realmente seguro do que se vai passar até que ocorra. A certeza que temos é que o futuro favorecerá as empresas ágeis e dinâmicas, que estejam preparadas para tudo o que o mundo lhes possa oferecer.
Para crescer neste novo clima económico, as empresas terão de analisar de maneira eficaz o ecossistema económico e aproveitar as oportunidades que este ofereça e, assim, ter êxito nos seus negócios.

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