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É sempre assim: antes de morrerem, as pessoas estão vivas

É no coração de Lisboa, entre os ruídos dos martelos pneumáticos e de uma cidade dividida entre o fascínio da novidade e a angústia da tradição, que nasce o mais recente romance de Filipe Homem Fonseca. Ambientado numa das zonas mais populares da cidade, A Imortal da Graça retrata um grupo de moradoras (e um morador), na sua luta pelo poder – neste caso, pela sobrevivência – dentro de um bairro sitiado pela especulação imobiliária, de onde é literalmente impossível sair por causa das eternas obras de renovação.

Com laivos de farsa e comédia, A Imortal da Graça evoca também a situação presente dos bairros históricos alfacinhas, de onde residentes mais velhos e mais pobres são sistematicamente expulsos, em resposta à pressão crescente dos interesses de grupos financeiros e imobiliários.

Com a mestria e o sentido de humor de quem escreve uma crónica de bairro, Filipe Homem Fonseca traz para o seu romance situações-limite cheias de imaginação – sob a forma de histórias de amor, de perda, de ternura, de disputa e de delírio – e personagens cheias de encanto e complexidade, como o é a Lisboa dos nossos dias.

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