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Procura residencial mais cautelosa estabiliza mercado no início do ano

De acordo com o RICS/Ci PHMS de janeiro, o ano iniciou com uma tendência de estabilização na atividade de compra venda de habitação, depois de, na reta final de 2018, ter exibido alguns sinais de ligeiro enfraquecimento. Apesar dos preços manterem uma rota de subida, esta é agora, sobretudo, sustentada pela continuada falta de oferta a entrar no mercado, já que a procura tem vindo a revelar uma tendência de abrandamento e se mostra agora mais cautelosa e sensível ao preço.

“Há de facto uma postura mais conservadora por parte dos compradores, que se mostram mais defensivos em relação ao comportamento dos preços. Alguns inquiridos no PHMS dão nota de que os vendedores veem agora as suas casas demorar mais tempo a serem vendidas, mostrando que, frequentemente, os preços de oferta estão muito acima dos preços finais de venda nas diferentes zonas”, começa por comentar Ricardo Guimarães, diretor da Ci. “Isso também é confirmado pelo SIR-Sistema de Informação Residencial da Ci, que mostra que existe um price gap de 22% entre a oferta e a procura. Ou seja, que os preços de venda das casas ficam, em média, 22% abaixo do valor a que os imóveis são colocados em oferta. Assim, conforme sugere o sentimento global de mercado auscultado no PHMS, o futuro próximo deverá ser de estabilização e consolidação do mercado”, acrescenta.

Simon Rubinsohn, Chief Economist do RICS, destaca que “o inquérito de janeiro mostra uma recuperação nas expetativas de mercado, mesmo que a dinâmica esteja mais fraca do que o ano passado por esta altura. O sentimento é agora consistente com um cenário macro ainda positivo, apesar do risco de abrandamento. Na verdade, a economia cresceu uns sólidos 2,1% no ano passado e, apesar do crescimento poder perder algum do seu impulso, o outlook continua a ser relativamente animador”.

Os resultados do PHMS mostram que a procura, medida pelas consultas por potenciais clientes, se manteve estável em janeiro, depois de ter recuado em dezembro, embora a última leitura positiva deste indicador se tenha verificado há já quatro meses. Também as vendas estabilizaram durante o mês de janeiro em todas as regiões cobertas pelo inquérito (Lisboa, Porto e Algarve), cenário que resultou na ligeira recuperação das expetativas de vendas a curto-prazo.

Do lado da oferta, o volume de novos imóveis a entrar no mercado continuou a decrescer, com este indicador a manter-se em terreno negativo há praticamente dois anos (23 meses consecutivos). Este é apontado como um dos principais motivadores da subida dos preços, com um saldo líquido de +43% dos inquiridos a antecipar uma subida de preços no espaço de um ano. Num horizonte de 5 anos, os inquiridos esperam que os preços aumentem a um ritmo médio anual de 2%, com as projeções bastante equilibradas entre as três regiões.

No mercado de arrendamento, a procura por parte dos inquilinos aumentou em janeiro a um ritmo ligeiramente mais forte do que no relatório anterior (o saldo líquido melhorou de +10% para +21%), enquanto as instruções por parte dos proprietários voltaram a cair. Em resultado deste desequilíbrio, as rendas continuam a subir, ainda que as expetativas para o seu crescimento sejam mais modestas do que há uns meses atrás.

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