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Sr. Lisboa, quando além da comida, a decoração também atrai

Do lado de fora ninguém imagina como é lá dentro. É como se entrássemos no mundo mágico de Alice no País das Maravilhas. Uma porta pequena é a fronteira entre a realidade e um mundo alternativo em que um restaurante nos transporta para um mundo, onde objetos que já foram protagonistas do quotidiano são agora peças de decoração. Na verdade, uma tendência disruptiva que vai “invadindo” alguns espaços de restauração por aí.

Na petiscaria Sr. Lisboa a decoração é o que cativa logo à primeira, mesmo antes do primeiro contacto com quem nos recebe. A originalidade de dar vida a objetos cujas funções estão distantes daquela que lhes é atribuída agora está patente em todas as áreas do restaurante. Assim vemos colheres de pau artesanais a servirem de suporte a garrafas, vemos candeeiros feitos de talheres e outros feitos de tambores de máquinas de lavar roupa e de antigas canalizações. Vemos tachos a servirem de garrafeira, panelas grandes adaptados a lavatório, portas de frigorífico a servirem de porta de casa de banho que quando se abrem tem pintado na parede do fundo a reprodução do interior de um frigorífico com as prateleiras. Por cima da ombreira da porta de entrada, uma decoração feita com tampas, mas o que chama a atenção é a cabeça de um boi com uma cabeleira cheia de caracóis, bigode e chapéu de coco que enfeita a parede.

As mesas também não escaparam à criatividade decorativa. Algumas, com um tampo de vidro, deixam ver por baixo uma grelha de fogão com os respetivos bicos a gás.

Não foi preciso perguntar para se perceber que a maioria dos clientes eram estrangeiros, uma informação que mais tarde foi confirmada mas prontamente foi-nos também dito que durante o almoço recebem bastantes clientes portugueses, principalmente porque existem muitas empresas ali perto e porque servem todos os dias úteis um menu de almoço completo por 10 euros. Em alternativa têm o menu rápido composto por prato e bebida por 8 euros.

O ambiente no Sr. Lisboa é vibrante, sempre com música portuguesa como som ambiente. Os empregados não têm mãos a medir, mas a ideia com que ficámos é que a rapidez no serviço impera e as mesas foram rodando com ritmo, apesar de ser uma segunda-feira ao final do dia. Mas afinal, a segunda-feira é um dia que, em conjunto com o domingo, sextas e sábados é agitado no Sr. Lisboa. Sendo uma sala pequena, que apenas alberga até 35 comensais, convém fazer reserva. Os grupos são bem-vindos, mas apenas mais de 13 pessoas e só para depois das 22horas. Os grupos com mais de 25 pessoas têm de reservas toda a sala.

Mas se pensam que este espaço, que passa despercebido na rua de São José, só serve almoços e jantares estão enganados. O restaurante abre todos os dias úteis das 8h às 24h, pelo que quem quiser tomar ali o pequeno-almoço também tem uma panóplia de opções, desde as mais tradicionais às mais eruditas. Ao fim de semana o horário é diferente.

Naquele dia quem nos recebeu e atendeu, com um sorriso rasgado e pronta a esclarecer todas as questões, foi a Carla. A ementa, criada pelo jovem chef de 24 anos Pedro Sousa, não desapontou.

Seguindo o conceito da cozinha para partilhar começámos com um covert “Abrir aos Santos” em honra do mês dedicado aos Santos Populares que consistia por um dip de Molho à Bulhão Pato, requeijão de Azeitão e duas manteigas de pimento verde e de malagueta vermelha fumada que estava particularmente saborosa. Tudo para comer com um delicioso pão de Mafra.

Seguiu-se o camarão crocante que consiste em camarão marinado envolto em massa kadaif e maionese wasabi e lima, que estavam deliciosos, crocantes como manda a tradição.

Depois passámos para um dos best-sellers, um prato que existe já há algum tempo e pelo qual muitos clientes regressam de propósito. O polvo chimichurri. Macio, o polvo cozido chegou-nos coberto do molho típico da Argentina onde os diversos sabores compunham uma autêntica sinfonia no palato: orégãos, coentros, salsa, alho, azeite, pimenta de espelette… tudo se conjugava num ligeiro sabor picante suave.

O prato que se seguiu no nosso menu foi o arroz com tinta de choco, denominado na carta como “O choco, a lula e o Arroz”. Era um prato que chamava à atenção não só pelo sabor, mas pelo negro intenso e brilhante do arroz cremoso, pela “rede” crocante, uma glaceada com azeite de tomilho. O prato em que foi servido tinha um “degrau” na irregular beira onde estrategicamente foi colocado um pouco de gel de limão que escorria lentamente como se tratasse de uma cascata, sobre o arroz.

O prato de carne foi o porco com caldo e cogumelos. Este prato, elaborado com lombinho de porco preto tem um pormenor peculiar. É servido “mal-passado”, isto é, a carne é cozinhada a baixa temperatura durante muito tempo até atingir o ponto de cozedura considerado seguro, o que para muitos clientes pode ser considerado mal-passado dado o tom rosa. Um aviso porém, se os cliente pedirem para passar mais a carne, o pedido não é atendido sendo-lhes explicada a razão. O prato é ainda servido com um pouco de mousse de frutos secos, onde o sabor dos amendoins sobressai.

O gelado de lima e manjericão com um pudim abade de Priscos; e um ananás caramelizado servido quente com lascas de queijo velho da ilha, gelado de iogurte, redução de vinho do Porto e crumble de chocolate, encerraram uma bela experiência gastronómica.

Rua de São José, 136, Lisboa
Telefone: 213 423 512
Reservas: reservas@srlisboa.pt

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