Fibrilhação Auricular – prevenir e controlar é fundamental

Dra. Maria Inês Simões

Considerada a arritmia mais frequente em todo o mundo e associada a um risco de mortalidade cerca de 1.5 a 2 vezes superior, a Fibrilhação Auricular pode atingir uma em cada quadro pessoas na meia-idade.  A sua prevalência aumenta com a idade o que faz com que a maior esperança média de vida da população faz com que se preveja um crescimento significativo do número de casos ao longo dos próximos anos.

A idade é um dos fatores de risco para o aparecimento de Fibrilhação Auricular. No entanto, esta arritmia também pode ocorrer em indivíduos jovens, sobretudo quando associada a casos de hipertensão, diabetes, obesidade, doença renal crónica, consumo de álcool ou de estimulantes. Extremos como a prática de desporto de alta resistência ou o sedentarismo, também devem receber particular atenção.

Como ocorre?

A Fibrilhação Auricular é um arritmia caracterizada por contracção auricular irregular. Por esse motivo, o ritmo cardíaco a maior parte das vezes torna-se muito rápido e irregular, provocando uma estagnação do sangue e a formação de coágulos dentro do coração. O aparecimento de Fibrilhação Auricular aumenta, por isso, em 5 vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). É responsável por 20 a 30 % dos AVC, aumenta em 3 vezes o risco de insuficiência cardíaca, e duplica o risco de morte e de demência. 

Como detetar?

Grande parte dos casos de Fibrilhação Auricular é assintomática e a maior parte das vezes é diagnosticada num eletrocardiograma de rotina. A palpação periódica do pulso pode ajudar a detetar esta arritmia, especialmente quando não provoca outros sintomas. A deteção de uma irregularidade no batimento cardíaco deve levar à procura de um médico, que fará o diagnóstico definitivo através da realização de um eletrocardiograma ou do recurso a monitorização eletrocardiográfica nas 24h, mais conhecido por Holter. 

Sintomas

Estima-se que até 40% dos casos de Fibrilhação Auricular sejam assintomáticos. A partir de determinada idade, devemos estar atentos a eventuais sensações como batimentos cardíacos descoordenados, palpitações, pulsação rápida e irregular, tonturas, sensação de desmaio ou mesmo perda do conhecimento, dificuldade em respirar, cansaço, confusão ou aperto no peito. Muitas vezes, o primeiro sinal chega tarde demais, com um AVC.

Controlo e tratamento

Uma vez diagnosticada Fibrilhação Auricular, o risco de AVC pode ser reduzido significativamente através de terapêutica anticoagulante. À semelhança do que se passa na maioria dos países europeus, em Portugal, as normas aconselham a que se ministrem os Novos Anticoagulantes Orais, também conhecidos como NOAC. Dependendo do fármaco prescrito, a medicação poderá ser tomada uma ou duas vezes ao dia.

O bom controlo desta arritmia e a evicção da formação de coágulos dentro do coração, com a consequente manutenção da qualidade de vida de quem dela sofre dependem principalmente do cumprimento escrupuloso da terapêutica. Qualquer alteração, deverá ser sempre validada pelo médico assistente. Não arrisque. Este é um dos exemplos na vida de que mais vale prevenir do que remediar.

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