FNAC celebra a liberdade com uma seleção de livros que seriam proibidos antes do 25 de abril

E se vivêssemos num país onde a leitura é um ato de rebeldia? Quantos dos livros que hoje valorizamos teriam sido censurados durante a ditadura? Para dar resposta a estas questões, a FNAC, comprometida com a promoção do livre acesso à Cultura, desafiou um conjunto de personalidades proeminentes da esfera cultural a formar um conselho editorial e a indicar uma seleção de livros relevantes dos dias de hoje que, há 50 anos, teriam certamente sido proibidos. A iniciativa visa celebrar o Dia Mundial do Livro e os 50 anos do 25 de abril, e pretende ainda estimular o debate sobre o valor da liberdade de pensamento, escrita e expressão.

O conselho editorial é composto pelo escritor e jornalista João Céu e Silva, o escritor Richard Zimler, o editor e escritor Rui Couceiro, a ex-jornalista Teresa Nicolau, o escritor Valter Hugo Mãe e o editor Zeferino Coelho, todos eles personalidades das letras, reconhecidos pelo seu compromisso com a Cultura e liberdade de expressão. Da lista de livros fazem parte 35 títulos onde se incluem autores como António Lobo Antunes, Dulce Maria Cardoso, José Saramago, Miguel Esteves Cardoso, Mia Couto, Frederico Lourenço, Margaret Atwood, Maria Filomena Mónica, Maria Teresa Horta, entre muitos outros autores conceituados, cujas obras não teriam chegado às mãos dos leitores há 50 anos.

Esta ação culmina com uma conversa em modo debate na FNAC Av. de Roma (antiga Livraria Barata), um local emblemático que nos tempos da ditadura proporcionou o acesso a livros proibidos pelo regime. A sessão será no dia 22 de abril, às 18h30, na véspera do Dia Mundial do Livro, e será moderada pelo jornalista Pedro Benevides, da TVI/CNN. Neste encontro, os membros do Conselho Editorial compartilharão as suas reflexões sobre a importância da liberdade de pensamento, escrita e expressão, e sobre a forma como os livros são agentes de transformação social.

“Ler é uma das melhores formas de luta pela liberdade que temos disponível”, afirma Inês Condeço, diretora de marketing e comunicação da FNAC Portugal. “Os livros contêm uma enorme sabedoria sobre o mundo, abrangendo todas as experiências e emoções já sentidas. Proporcionam a empatia necessária para compreender o que nos rodeia, dão-nos inspiração para criar novos pensamentos e abrem caminho para a liberdade de pensamento. Por estes motivos, consideramos extremamente pertinente e relevante esta iniciativa, que trata de um tema que continua a ser de grande atualidade. É crucial refletirmos sobre estas questões, debatermos e reconhecermos o papel fundamental que os livros desempenham na promoção da liberdade de pensamento e expressão”, conclui.

As escolhas do Conselho Editorial

João Céu e Silva

  • Levantado do Chão, José Saramago

Descrever o Alentejo dos marginais, dos pobres e dos sem terra seria impossível antes do 25 de Abril. Saramago fá-lo após se ‘exilar’ em Lavre e confrontar-se no pós-Revolução com uma realidade tão próxima como distante da capital que exerce o Poder e levá-la em seguida aos leitores, fazendo-se descobrir como escritor através dessa obra tão original e em que até redescobre uma nova língua, a que o destacará dos restantes escritores seus contemporâneos.

  • A Costa dos Murmúrios, Lídia Jorge

Um romance sobre a Guerra Colonial visto pelo olhar de quem passou pelo Ultramar e fez uma leitura errada dos acontecimentos e que só mais tarde terá direito a uma revisão do olhar. É como o desvendar das ‘sessões’ de um julgamento que nunca foi feito pelos portugueses em relação a um conflito que derrubou o regime ao fim de 13 anos de combates.

  • Os Cus de Judas, António Lobo Antunes

A catarse do escritor que através dos personagens vem desvendar os dramas, as ilusões e desilusões que viveram os militares forçados a combater em África, com o benefício de ser realizada através de uma fala que é um jorro impactante ao longo de todo o livro, e que tenta iniciar um debate que permita responder a perguntas sobre a identidade de um país e dos portugueses.

  • Bilhete de Identidade, Maria Filomena Mónica

Qualquer tentativa autobiográfica como a realizada pela autora seria impossível e proibida antes da Revolução. Permitir que uma mulher revele a sua revolta perante a condição feminina sempre foi obstaculizada e impedida de vir à luz do dia. Com a particularidade de fazer um ótimo retrato das famílias burguesas, da hipocrisia dos homens e do vazio de um regime.

  • A trilogia sobre Gungunhana, Mia Couto

As Areias do Imperador – Livro 1: Mulheres de Cinza

As Areias do Imperador – Livro 2: A Espada e a Azagaia

As Areias do Imperador – Livro 3: O Bebedor de Horizonte

A história de um herói para uns e de um prisioneiro exemplar de como sufocar uma rebelião para outros nunca teve duas versões como a que o escritor veio dar com a escrita destes três volumes. A que acrescenta uma reflexão feita com as cores africanas e as fábulas e linguagem próprias do seu registo, permitindo a revisão do destino de um protagonista.

Richard Zimler

  • Portugueses na Lista Negra de Hitler, Miriam Assor

Já ouvi de bastante gente em Portugal (até professores de história!) que não havia portugueses nos campos de extermínio nazis. Sempre soube que não era verdade – até sabia os nomes de vários prisoneiros. Mas faltava-me um livro com documentação adequada. Miriam Assor preenche esta lacuna com um livro admiravelmente pormenorizado que nos conta a história dos prisoneiros portugueses que entraram na lista das milhões das vítimas do Holocausto. Apresentei o livro na sinagoga do Porto em 2023.

  • As Cartas da Prisão de Nelson Mandela, Edição de Sahm Venter

Neste livro, encontramos as tristezas e as alegrias, as dúvidas e as certezas de um homem corajoso, bondoso e profundamente dedicado à reconciliação. Foi uma leitura emocionante para mim. Eis um excerto breve de uma carta que o Mandela escreveu para a sua amiga Joy Matsieloa: “Houve muitas ocasiões em que esses pensamentos [complicados] me assaltaram o espírito. A morte do teu irmão, Gabula, foi um desses momentos dolorosos. A notícia deixou-me praticamente paralisado; não fui capaz de escrever… Na condição em que me encontrava, só consegui recolher à privacidade da cela.”

  • Suicídio: Modo de Usar, Claude Guillon e Yves Le Bonniec

Estava a fazer um estágio em Paris em 1982, na agência mediática United Press International, quando este livro saiu. Criou logo sensação, sobretudo nos meios católicos e nos jornais conservadores. Embora não seja de maneira nenhuma uma incitação ao suicídio, inclui receitas compostas de produtos facilmente comprados que ajudam as pessoas afetadas por doenças terminais ou outras situações insuportáveis a pôr fim à vida, de uma maneira eficaz e sem sofrimento desnecessário.

  • Os Cinco Pilares da PIDE, Irene Flunser Pimentel

Quando me mudei para Portugal em 1990, descobri que pouca gente falava abertamente do papel da polícia secreta no Estado Novo. Até descobri pessoas que negavam que a PIDE usasse formas de tortura. Achei isso revelador da relutância dos políticos e académicos para confrontar honestamente o passado. A historiadora e professora Irene Pimentel tem retificado esta situação com a publicação de vários livros importantes sobre a ditadura, incluindo este, que é uma biografia de cinco elementos importantes da PIDE.

  • Primeiro Cresci no Coração, Filipe de Bruxelas com ilustração de Pedro Rosa

Um livro para crianças, muito comovente, em que Lilás, de 5 anos, vive com dois pais. Diz ela: “O meu pai sueco chama-se pai baunilha e o meu pai português chama-se pai mel. Fui eu quem escolheu os nomes. São meus.” Fui membro de um júri que escolheu o livro para o Prémio de Melhor Livro Infantil dado pela Associação ILGA Portugal em 2013. Adorei.

  • Rita Lee – Uma autobiografia, Rita Lee

O leitor encontra bastante sex, drugs and rock‘n’roll nesta maravilhosa autobiografia da cantora brasileira. A autora usa a língua portuguesa de uma maneira admiravelmente criativa. Adorei, em particular, as histórias sobre a sua excêntrica família. Fez-me rir com muito frequência.

  • O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler

Em 1989, quando descobri o Massacre de Lisboa de 1506, em que 2000 cristãos novos foram mortos e queimados no Rossio, perguntei aos meus amigos portugueses: “O que sabem deste crime contra a humanidade?” Todos respondiam: “Qual crime? Não houve massacre nenhum!” Descobri que o levantamento antissemita liderado por padres dominicanos tinha sido eliminado das histórias oficiais de Portugal e de dois manuais escolares. Ainda hoje, algumas pessoas com poder político e económico preferem negar ou branquear a existência do massacre. Por exemplo, quando a jornalista do programa televisivo Visita Guiada, Paula Moura Pinheiro, quis entrevistar-me na igreja de S. Domingos, onde o massacre começou, o Patriarcado de Lisboa recusou deixar-me entrar no templo e ser filmado.

Rui Couceiro

  • O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso

O facto de não ser preciso explicar por que motivo este livro, editado há exatamente 30 anos, não poderia ter sido publicado no Portugal agrilhoado de antes do 25 de Abril de 1974 torna a escolha tão óbvia quanto certeira.

  • Pode um Desejo Imenso, Frederico Lourenço

Quando, certo dia, dei com a primeira edição deste livro, foi o título – que advém de uma bela ode de Camões – a despertar a minha curiosidade. Mas, logo depois, achei a premissa um pouco peregrina e, digamos assim, voluntariosa: no romance, Camões é gay. A minha reação imediata foi de rejeição, foi preconceituosa. Não só em relação à homossexualidade, mas sobretudo às ideias, em sentido lato. Naquela altura, não fui capaz de constatar que, há cinquenta anos, aquela ideia não teria sido mais do que uma ideia. Muitos anos depois, ela resultou num livro publicado, porque a liberdade dá-nos a possibilidade de termos todas as ideias. E, melhor ainda, de as concretizarmos, ao contrário do que autorizava a bafienta moral do regime fascista. Vinte anos depois, o livro foi, felizmente, reeditado e eu pude lê-lo de outro modo.

  • Ode Triumphal à Cona, Cláudia Lucas Chéu

Uma mulher teve a suprema falta de educação de fazer uma ode – ainda por cima, triumphal – às vergonhas femininas. Abençoada seja. Não só porque a fez bem, mas também porque exercitou de forma pública a sua liberdade – a liberdade que quase 50 anos antes (o livro saiu em 2022) a Revolução lhe deu. Livro poderoso e libertador, tanto quanto «o incomensurável poder da cona», essa que «Quem nunca manjou – ou quis que lha jantassem – / que atire a primeira língua.

  • Os Cus de Judas, António Lobo Antunes

Segundo livro de António Lobo Antunes, autor que haveria de se tornar um colosso, expõe os horrores a que o próprio autor assistiu em Angola, durante a “absurda” guerra colonial. Em forma de relato, consubstanciado através de um longo monólogo, um médico do exército partilha com uma mulher, num bar de Lisboa, tudo aquilo que viveu durante mais de dois anos de serviço militar numa guerra sangrenta, que hoje nos envergonha.

  • Os Cadernos Secretos do Prior do Crato, Urbano Tavares Rodrigues

Imagine-se um possível rei altamente libidinoso. Não é inverosímil que D. António fosse um homem assim, até porque teve vários filhos, de dez mulheres, todos ilegítimos, por conta da obrigação de celibato. Neste livro, Urbano Tavares Rodrigues fez do homem que acompanhou D. Sebastião em Alcácer Quibir uma personagem absolutamente fascinante, permanentemente em luta com os seus próprios demónios e com os princípios em que queria acreditar.

  • O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago

Se a publicação e uma possível distinção deste livro originaram uma lamentabilíssima reação de um governo de centro-direita, imaginemos como seria recebido num regime fascista, como o de Salazar. Num estado laico, o romance de José Saramago foi retirado da lista de candidatos ao Prémio Literário Europeu pelo então Subsecretário de Estado da Cultura, António Sousa Lara, sem o apoio do Ministro da Cultura, Pedro Santana Lopes, mas escudado pelo Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, por ofensa à moral cristã, por ser “blasfemo” e “mau”. Em consequência disso, em 1993, o escritor que, cinco anos mais tarde, haveria de se tornar o único autor de língua portuguesa galardoado com o Prémio Nobel de Literatura, deixou o país, mudando-se para Lanzarote, em Espanha.

  • Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo

É inesquecível a fortíssima relação entre o pai e a filha que protagonizam este livro. Mas também não se esquecem os vários matizes das relações entre brancos e pretos naquele Moçambique colonial. Documento de grande valor histórico e obra de inegável mérito literário, põe a nu uma das piores memórias do Estado Novo: o colonialismo.

Teresa Nicolau

  • A História de uma Serva, Margaret Atwood

A distopia imaginada pela romancista canadiana, é lida como se fosse real. Muitas das personagens, cenas e cenários, têm evidentes semelhanças com atitudes e ações políticas e sociais, antes tão distantes, agora tão próximas. A redução do “ser” mulher como sujeito inferior, subordinada aos papéis de reprodução e de manutenção do “lar”, numa sociedade dominada pela violência patriarcal, é o conceito do livro. Entre a emoção e a repugnância, é assustador perceber essa certa premonição de Atwood. É uma edição Bertrand.

  • O Acontecimento, Annie Ernaux

O relato, puro e duro de um aborto. Por acaso, aconteceu na vida da autora. Por acaso, acontece a mulheres. A importância de contar esta história, através da experiência pessoal, pela escrita da Nobel da Literatura, remete-nos para a empatia e a necessidade de melhor entender quem ao nosso lado pode estar. É uma edição Livros do Brasil.

  • Bilhete de Identidade, Maria Filomena Mónica

A autobiografia da socióloga, para além da vida pessoal, é um dos mais intensos retratos da condição feminina em Portugal. Quando a li, emocionei-me. A clareza e retidão desta mulher, antecipa a urgente emancipação feminina em Portugal, com a lei a acompanhar. Maria Filomena Mónica é um dos meus exemplos de vida. Grata. É uma edição Relógio D’Água.

  • Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo

Pouco sabia da Guerra Colonial e da história de que teve de chegar às outras margens do colonialismo. A escola mantém uma névoa de desconhecimento sobre esta matéria, tão drástica e importante para a História. Isabela de Figueiredo recorre à lembrança traumática desses tempos, em que as alegrias se juntam às tragédias humanas. É uma edição Caminho.

  • Estranhezas, Maria Teresa Horta

Caso a Poesia fosse Olimpo e tivesse deusas a celebrar, Maria Teresa Horta estaria em trono de ouro e sagradas palavras. Esta escrita de corpo e amor é mais do que literatura. É lugar intimista. A biografia recentemente publicada por Patrícia Reis melhor elucida sobre como a vida vivida melhor se transforma em poesia quando de manifesta a dor e o prazer em canto poético. É uma edição D. Quixote.

  • Avalanche, Marta Chaves

Gostava sim, de trazer sempre em mão, cada verso seu. A subtileza, quase matemática, de tanto rigor imagético, é cortante. Sem adorno ou fantasia, a poesia de Marta Chaves devolve-nos à realidade dos sentimentos, a integralidade necessária à aprendizagem, pura filosofia de vida. É uma edição Assírio & Alvim

  • Toda a Ferida É Uma Beleza, Djaimilia Pereira de Almeida

Para chorar, é necessário que o corpo se manifeste incomodado. Da cabeça ao coração, este livro pequeno muitos dias me demorei a ler. A inocência retratada pela voz de uma menina, é de uma violência que nos devolve à humanidade. Para além da brilhante literatura de Djaimilia Pereira de Almeida, há também a ilustração magnífica de Isabel Baraona. É uma edição Relógio D’Água.

Valter Hugo Mãe

  • As Naus, António Lobo Antunes

Lobo Antunes é todo sobre o Portugal que se sobra, com seus sonhos e seus traumas. A Revolução está como portal pelo qual precisaram de passar os bons e os maus, com suas graças e crimes, para configurar um novo regime onde o tabu se pressente e desempenha um papel tão bom para a sobrevivência quanto para esconder a culpa de muitos.

  • A Axila de Egon Schielle, André Tecedeiro

A reunião da poesia do André Tecedeiro passa pela afirmação de um belo poeta e pela afirmação de uma comunidade inteira de pessoas até agora marginalizadas. A questão da adequação do corpo à identidade sensível é novidade na praça mas é um drama de sempre que deitou muita gente ao sofrimento e à morte.

  • O Retorno, Dulce Maria Cardoso

O que se esconde no processo de descolonização, o crime da guerra que tentou impedir o fim da ilegítima ocupação, a chegada traumática de um milhão de portugueses ao Portugal castrado dos anos de 1970, tudo se passa como um segredo amplo que se fez segredo porque assim se convencionou. Para deitar por baixo do tapete as agressões de uns contra outros, de todos contra todos, num episódio que só podia correr mal.

  • Erosão, Gisela Casimiro

O silêncio português em relação à memória negra haverá de ser uma das maiores vergonhas da nossa História. Com o terrível passado colonialista que temos, não haver uma consciência das implicações portuguesas na negritude é uma demissão triste e criminosa. A Gisela Casimiro, que adoraria “ser polícia quando grande”, não publicaria na Ditadura. Mas o país precisa dela há 500 anos.

  • Semente em Solo Adverso – Poesia Completa, Isabel de Sá

A estreia de Isabel de Sá, em 1979, representa o fulgor da liberdade que finalmente se conquistou. Feminina, brava no combate ao puritanismo dominante, sexual, violenta, sem medo do feio e da rejeição, o lugar da mulher que ela traz é tão à revelia que ainda hoje parece uma mulher no futuro.

  • Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

A obra de Saramago é, inteira, um manifesto de Liberdade. O seu pensamento acerca dos vícios de poder, as falhas na identidade nacional, a aspiração humanista e a capacidade de manter um foco universal que integre e respeite todos, é a batalha que faz de Saramago uma voz de valor fundamental para a contemporaneidade.

Zeferino Coelho

  • Os Reinegros, Alves Redol

Este romance não foi editado pela convicção de autor e editor de que seria proibido. Saiu já depois do 25 de abril. O receio da proibição sustentava-se na história que o livro conta: a participação operária na revolução republicana de 1910.

  • Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez, José Saramago

Estes dois romances complementares deixariam certamente o governo de Salazar ou de Caetano muito incomodados pela ousadia com que é tratado o tema – a ilusão eleitoral – e o apelo ao voto em branco e a repressão violenta a que dá origem.

  • Vinte a Zinco, Mia Couto

Este romance menos conhecido do escritor moçambicano denuncia o domínio colonial em Moçambique e nomeadamente o papel da PIDE, o que era então absolutamente proibido.

  • A Gorda, Isabela Figueiredo

A censura, que muitas vezes atuava também como uma espécie de polícia dos costumes, não toleraria a ousadia e o realismo deste livro. Para situações idênticas a decisão foi muitas vezes a proibição e a retirada dos livros do mercado.

  • A História de Roma, Joana Bértholo

Aquilo que neste livro tem um lugar importante – a mulher moderna, para quem a liberdade de escolha do que fazer com a sua vida faz parte natural e inalienável da sua natureza – choca frontalmente com a moral conservadora que o antigo regime defendia por todas os meios. Um livro destes seria sem dúvida proibido, e a sua autora e o respetivo editor sofreriam as consequências penais se ousassem editá-lo.

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