Symphony: viagem inédita ao coração da música sob a batuta de Gustavo Dudamel

O projeto Symphony uma viagem virtual ao coração da música clássica, foi hoje apresentado no Porto e estará na Praça da Casa da Música a partir do dia 2 de junho de 2023 e até 12 de julho de 2023.

Promovido pela Fundação “La Caixa”, o projeto chega ao Porto no âmbito de um tour que arrancou em setembro de 2020, após a sua estreia no CosmoCaixa, Museu da Ciência da Fundação “la Caixa”, em Barcelona. Desde então, e durante dez anos, o Symphony irá percorrer uma centena de cidades de Espanha e Portugal para oferecer uma experiência imersiva de ponta com base em realidade virtual, da qual já puderam desfrutar mais de 265 000 pessoas.

O projeto, que demorou mais de quatro anos a preparar, teve como ponto de partida a abordagem do poder emocional da música na vertente da divulgação. A Fundação “la Caixa” apostou, desde o primeiro momento, na realidade virtual como a melhor forma de o fazer. A tecnologia mais recente permitiu o que de outro modo não seria possível: sentarmo-nos no meio dos violinos, numa grande orquestra sinfónica, enquanto interpretam Beethoven. O intuito é cativar todos os tipos de público, até aqueles que já são conhecedores da música clássica.

A experiência Symphony é formada por duas unidades móveis que se transformam em duas salas de 100 metros quadrados cada uma. Na primeira, podemos assistir a um filme panorâmico que apresenta esta viagem ao espetador e que o conduz através de sons. A segunda unidade é dedicada à experiência de realidade virtual.

Quando o espetador colocar os óculos, verá como, de repente, tudo mudou à sua volta. Estará, nesse momento, no Gran Teatro del Liceo de Barcelona, sentado numa cadeira e o maestro Gustavo Dudamel, alma da Fundação Gustavo Dudamel, dar-lhe-á as boas-vindas. A seguir, ver-se-á rodeado dos músicos de uma orquestra sinfónica, todos em silêncio, à espera da indicação do maestro, que dará energicamente início à Sinfonia n.º 5 de Ludwig van Beethoven. As famosíssimas quatro notas que abrem esta sinfonia marcam o começo desta experiência.

O espetador verá os músicos distribuídos no palco da forma habitual, por famílias de instrumentos (cordas, madeiras, metais e percussão), e senti-los-á muito perto da sua forma real, e sentirá a energia e o olhar do maestro, que estará mesmo à sua frente. Esta experiência musical permite-lhe virar a cabeça em todas as direções, adquirindo novas perspetivas da orquestra e dos seus instrumentistas.

Este projeto itinerante idealizado pela Fundação “la Caixa” e promovido no Porto em colaboração com o BPI, a Câmara Municipal do Porto e a Casa da Música, dá-nos a oportunidade de perceber, através das imagens e da música, como, a partir de um simples pedaço de madeira ou da dureza de um pedaço de metal, é possível construir um universo tão sofisticado e maravilhoso como o de uma orquestra sinfónica. Deste modo, Symphony desconstrói a orquestra para mostrar a simplicidade, que contrasta com o sem-fim de recursos que são oferecidos aos compositores para expressarem as suas ideias e emoções. A experiência proporciona uma audição emocionalmente ativa: graças às mudanças de posição da câmara de 360º dentro da orquestra, o espetador poderá ouvir e sentir a música de uma forma nova e surpreendente, experimentando as várias famílias de instrumentos.

Experiência imersiva em dois tempos

Esta experiência imersiva tem a duração aproximada de 40 minutos, dividida em dois tempos. Começa com a projeção de um filme panorâmico e passa depois para a realidade virtual, que permite ver em 360º a Mahler Chamber Orchestra, dirigida por Gustavo Dudamel, e filmada no Gran Teatro del Liceo de Barcelona.

A experiência decorre em duas unidades desmontáveis de 100 metros quadrados cada uma. O primeiro espaço destina-se à projeção de um filme num ecrã de grande dimensão (12 minutos) e o segundo à experiência de realidade virtual (12 minutos). A primeira parte é um preâmbulo sonoro e visual da experiência virtual. Trata-se de um filme sem palavras em que a história é contada através dos sons e da música. A sua finalidade é criar uma oportunidade para tomarmos consciência das paisagens sonoras que nos rodeiam todos os dias e em qualquer lugar.

Três jovens músicos de diferentes partes do mundo protagonizam este filme inicial rodado na Colômbia, em Nova Iorque e na costa mediterrânica. Através dos sons e das músicas dos locais onde vivem, poderemos perceber como cada um deles está ligado aos sons e à música que o rodeiam. Através deste mosaico de contraste, o espetador irá descobrir como o engenho do ser humano consegue transformar sons aleatórios em música, unindo, deste modo, diferentes culturas.

No final deste primeiro filme, os espetadores acederão à experiência musical imersiva com dispositivos de realidade virtual. Depois de ouvirem a Sinfonia n.º 5 de Beethoven e de verem Gustavo Dudamel da primeira fila, a experiência leva-os para outro espaço: a oficina de um luthier. Ali, poderão ouvir o som da madeira a ser esculpida pelo artesão construtor de instrumentos de corda, antes de entrarem no violino em que este está a trabalhar e, depois, num trompete.

Para reforçar o poder emocional da música, o espetador será acompanhado da melodia do início da Sinfonia n.º 1 de Gustav Mahler, num ambiente intimista e especial, para depois terminar a viagem novamente com a orquestra, que nesse momento interpretará o jovial Mambo de West Side Story, de Leonard Bernstein.

Mais de 250 pessoas envolvidas no projeto

A ideia original do projeto surgiu em 2017, no Departamento de Música da Fundação “la Caixa”, que encarregou o músico e criativo Igor Cortadellas da sua direção artística. Igor Cortadellas elaborou então o guião e procurou a tecnologia adequada. A direção musical ficou a cargo do maestro de orquestra Gustavo Dudamel, que foi responsável por validar e dar corpo a este projeto tão ambicioso. Foi então lançado um concurso para o desenvolvimento da parte técnica, que foi ganho pela empresa de pós-produção e criação de efeitos visuais e animação digital Glassworks, de Barcelona.

Quando esta empresa se juntou ao projeto, escolheu o estúdio Visualise, sedeado em Londres, para executar o trabalho relacionado com a realidade virtual, dada a sua experiência no setor. Sob a direção de Igor Cortadellas e da sua equipa Igor Studio, as duas empresas supervisionaram o plano de produção e criaram ferramentas para melhorar a pré-produção e a produção do processo. Um dos principais desafios com que se depararam foi a decisão sobre onde colocar a câmara de 360º na altura de filmar. Para encontrar a perspetiva mais natural e realista para um espetador dentro da orquestra, utilizaram software para criar uma ferramenta 3D que permitia ver de antemão o que espetador iria visualizar em determinado ponto da sala do Teatro.

A filmagem final teve lugar no Gran Teatro del Liceo de Barcelona, em agosto de 2019, tendo sido utilizado um protótipo de câmara Meta One criado para a ocasião, que permitiu filmar cenas com pouca luz e com uma gama dinâmica mais ampla do que qualquer câmara de 360º existente, resultado da sua leveza e menor dimensão, em comparação com as restantes. Tal permitiu filmar a orquestra com maior proximidade e de forma mais intimista.

Para a gravação do som de Symphony foi utilizada a mais recente tecnologia. Utilizou-se áudio em rede para reduzir a quantidade de cabos. Um só cabo transportou um total de 84 canais de áudio a 96 kHz e 24 bits. Para a configuração do microfone, foram utilizadas técnicas de gravação 3D de última geração. Todos os grupos de instrumentos foram meticulosamente gravados com uma mistura de microfones digitais de alta qualidade e também analógicos, para recriar todas as nuances da orquestra e criar uma experiência de 360º que acompanha o olhar do espetador.

No total, trabalharam e colaboram neste projeto mais de 250 pessoas, das quais uma centena da área artística, do Luthier David Bagué aos 60 extraordinários mentores da Mahler Chamber Orchestra e aos 41 jovens artistas da Fundação Gustavo Dudamel, que representaram 22 países de cinco continentes (oriundos, entre outros, dos Estados Unidos da América, Hong Kong, Japão, Espanha, Noruega, Venezuela, Colômbia, Coreia, Suécia, França e Argentina), que, sob a batuta de Gustavo Dudamel, não só deram vida a obras-primas do repertório clássico, como alargaram o acesso dos jovens à música e às artes, dando-lhes ferramentas e oportunidades para forjarem os seus próprios futuros criativos.

Tecnologia ao serviço da criatividade

O conceito visual desta experiência de realidade virtual combina imagens reais filmadas em 360º (live action) com imagens geradas por computador (CGI) e efeitos visuais realizados através de VFX, que recriam universos oníricos, também inspirados na Natureza, para completar a beleza da experiência.

As sequências gráficas vão ganhando complexidade à medida que a viagem avança e são resultado de várias camadas e texturas que sobrepõem e se adaptam às mudanças da partitura para lograr uma viagem mais orgânica.

Uma experiência para todos os tipos de público

O projeto Symphony é uma experiência pedagógica, cultural e lúdica pensada para o público maior de 8 anos. Não requer movimento por parte do utilizador, uma vez que o seu principal objetivo é fomentar o gosto por ouvir música. Pela natureza da própria tecnologia VR, existem, no entanto, algumas restrições, relacionadas com os menores de 8 anos e as pessoas que sofrem de epilepsia e vertigens, entre outras.

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