Romance de 1943, Volfrâmio, de Aquilino Ribeiro, é a imagem do Portugal rural profundo que de um momento para o outro, com a Segunda Guerra Mundial, vê o volfrâmio das terras de paupérrimos recursos valorizado, permitindo que o dinheiro comece a jorrar a ritmos nunca previstos nas aldeias do interior do território.
A obra, escrita por um homem com uma verve inigualável nas letras lusófonas, faz a descrição minuciosa do ridículo desse período fugaz de abastança no «Portugal dos tamancos», e os gastos em festas, verdadeiras loas ao bacoquismo, em carros que as pessoas nem faziam ideia sequer como trabalhavam, mas que punham na loja, a par do burro ou da junta de bois, não longe do porco para a matança, no jogo, artefactos de joalharia, nalguns casos pagos como tal e mais não eram que pechisbeque, roupas caras e meretrizes, mandadas vir de Espanha para volúpias pouco coincidentes com os códigos sexuais restritos da moral católica.
«Aquilino possuía, como nenhum outro, a sabedoria da língua e dos segredos gramaticais e estilísticos: metáforas, sinédoques, parábolas, fábulas, analogias, um arsenal de conhecimentos que aplicava nos livros com alegre desenvoltura.» diz o prefácio escrito por Baptista Bastos.
O livro de 312 páginas, foi lançado a 18 de Setembro com um pvp. De 16,60 euros.
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