Artigo de Opinião: Tomás Furtado, diretor do ArrábidaShopping
O papel dos centros comerciais tem vindo a acompanhar a transformação dos hábitos e das necessidades das comunidades onde estão inseridos. Se a conveniência e a oferta continuam a ser fundamentais, estes espaços têm também procurado responder a outras dimensões da vida quotidiana, criando formas de relação com quem os visita.
A cultura é uma dessas dimensões. Num momento em que existe uma oferta cultural diversificada, mas em que o acesso a determinadas propostas pode continuar condicionado pela distância, pelo preço ou pela falta de tempo, os centros comerciais contribuem para aproximar estas iniciativas de públicos mais alargados.
O cinema é uma das principais formas de expressão cultural associadas aos centros comerciais, há largos anos. Hoje, à sétima arte juntam-se concertos, exposições, instalações, workshops e outras iniciativas passaram a fazer parte da programação de muitos destes lugares, permitindo que diferentes públicos tenham contacto com propostas culturais.
Uma exposição pode despertar o interesse de quem não visitaria uma galeria, um concerto pode levar alguém a ver a sua banda preferida ou a descobrir um novo artista e uma iniciativa dirigida aos mais pequenos pode criar, desde cedo, uma relação mais próxima com diferentes formas de expressão artística. São oportunidades de contacto que não precisam de acontecer num contexto exclusivamente cultural para terem valor.
É esta visão que procuramos concretizar no ArrábidaShopping, através de iniciativas como o Arrábida Music. Num ano em que assinalamos 30 anos, decidimos dar uma dimensão mais abrangente à presença da música na programação, alargando o formato a um evento de dois dias e reunindo propostas dirigidas a diferentes gerações. Entre concertos, experiências para famílias e atividades para os mais novos, criámos um conceito capaz de aproximar a música de quem já frequenta o Centro no seu dia a dia, dar palco a artistas consagrados e atrair a atenção para novos talentos, através de um concurso para bandas e músicos emergentes.
Mas a programação cultural não deve ser pensada de forma isolada. A par disto, os centros comerciais continuam a reunir propostas de lazer e entretenimento que fazem parte de quem os frequenta, com atividades como o bowling ou os escapes rooms. A conjugação destas diferentes valências permite responder a interesses distintos e criar uma oferta mais completa, em que a cultura se cruza com outras formas de convívio, entretenimento e ocupação dos tempos livres.
Acredito que é precisamente nesta capacidade de acompanhar as comunidades que está uma parte importante do futuro dos centros comerciais. Para além de espaços de compra, podem ser lugares onde se descobre, se aprende, se convive e se participa.
Porque democratizar a cultura também passa por isto: criar mais oportunidades para que as pessoas se cruzem com ela, muitas vezes sem a terem procurado. E, se os centros comerciais têm escala para chegar a públicos tão diversos, têm também a oportunidade – e a responsabilidade – de contribuir para que a cultura esteja cada vez mais presente no quotidiano das comunidades.
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