Ciberataques em Portugal Crescem 15% e Ultrapassam Médias Europeia e Mundial

As organizações portuguesas registaram uma média semanal de 2.390 ciberataques durante o mês de julho de 2026, o que representa um aumento de 15% face ao mesmo período do ano passado. O valor coloca Portugal acima da média europeia (2.051 ataques semanais por organização) e da média global (2.336), de acordo com dados do Global Threat Intelligence Report divulgado pela Check Point Software Technologies.

No contexto nacional, o setor da Educação manteve a liderança no ranking dos mais visados, seguido pela Administração Pública — ambos com níveis de ataque superiores às respetivas referências globais. As Telecomunicações subiram para a terceira posição, seguidas pelos Serviços Financeiros, Serviços Empresariais, Bens e Serviços de Consumo e Indústria Transformadora.

A nível mundial, o volume de ataques aumentou 16% num ano, acompanhado por um crescimento de 87% nas vítimas reportadas de ransomware, que somaram 964 incidentes em julho. Os setores com maior concentração de vítimas desta tipologia de ataque foram os Serviços Empresariais (32,5%) e a Indústria Transformadora (14,4%), com os grupos The Gentlemen e Qilin a destacarem-se entre os mais ativos.

O relatório salienta ainda novos vetores de risco ligados à adoção de Inteligência Artificial Generativa no ambiente corporativo. Em julho, um em cada 36 prompts enviados a partir de redes empresariais apresentou elevado risco de fuga de dados, afetando 88% das organizações que utilizam este tipo de ferramentas de forma regular. Paralelamente, o correio eletrónico manteve-se como ponto crítico de entrada, com 0,78% dos emails globais classificados como phishing.

O Data Research Manager da Check Point Research, Omer Dembinsky, destaca a necessidade de respostas integradas: “Os dados de julho mostram que o risco cibernético se acumula simultaneamente em várias frentes. O volume de ataques continua a aumentar, o ransomware acelerou de forma muito significativa e a exposição associada à Inteligência Artificial Generativa já faz parte da atividade diária das empresas. As organizações precisam de uma segurança baseada em prevenção e suportada por Inteligência Artificial, capaz de proteger redes, utilizadores, dados e fluxos de trabalho de IA antes de os ataques conseguirem causar impacto”.

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