No livro O Espião no Arquivo, Gordon Corera conta-nos a sensacional história de Vasili Mitrokhin, o homem que expôs os segredos do KGB e do regime soviético. O livro chega às livrarias a 12 de março com a chancela da Bertrand Editora e tradução de Pedro Vidal.
É contado como se de um romance se tratasse. O Espião no Arquivo é «uma leitura compulsiva» que combina «o talento de contar uma boa história com o conhecimento subtil dos métodos de espionagem antigos e modernos». Disse-o Luke Harding, do The Guardian e, concordamos, dirão os leitores deste relato histórico que agora tem edição em Portugal.
Mas quem foi Vasili Mitrokhin, o homem que desmascarou as forças obscuras que subverteram a Rússia e que ainda hoje estão em ação no país? Como se rouba o mais secreto acervo do mundo? A resposta é simples: sendo-se um arquivista introvertido e discreto. Era essa a função de Mitrokhin na máquina quase perfeita do KGB: arquivar o que o mundo nem sonhava algum dia vir a descobrir. Pelo menos até os segredos a que foi exposto nas salas dos arquivos o terem desiludido de tal forma que se tornou, inicialmente, um dissidente e, mais adiante, um denunciante.
Segundo descreve Gordon Corera, jornalista e escritor especializado em questões de espionagem e segurança, Mitrokhin tentou mostrar ao mundo toda a verdade, inicialmente sem sucesso. Em 1992, na embaixada norte-americana em Talin, na Estónia, foi mandado embora por agentes da CIA, que acharam que tudo aquilo seria um embuste. Rejeitado pelos americanos, viria a ser bem-sucedido na embaixada britânica em Riga, na Letónia, graças a uma jovem diplomata que agiu com o habitual zelo dos principiantes. Ao contrário dos anteriores, ela não só não o descartou, como o convidou a beber um chá e aceitou analisar as centenas de notas que Mitrokhin escrevera à mão. Fazia-se assim história, e salvava-se um «traidor» do regime soviético.
O que mais surpreende na história deste homem é o facto de ter conseguido passar incólume. Diz Gordon Corera que isso só foi possível porque, ao longo de décadas, sempre se mostrou calmo e discreto enquanto registava as provas dos hediondos atos do KGB. Tão discreto que, mesmo depois da fuga, com o auxílio do MI6 – o Serviço Secreto de Inteligência britânico no estrangeiro –, ninguém se apercebeu de que o arquivista se tinha ido embora.
Um documento histórico narrado de forma empolgante.
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