Deaf Talks: 3ª edição mundial regressa a Lisboa

O tema deficiência auditiva tem vindo a assumir cada vez mais um foco central na atenção não só dos especialistas como da sociedade em geral. Em Portugal, os números apontam para cerca de 1 milhão de pessoas com deficiência auditiva diagnosticada. As origens desta deficiência têm explicações diversas, mas a necessidade de protecção e prevenção torna-se emergente e transversal na realidade social actual.

A exposição ao ruído bem como o volume desta exposição contribuem, significativamente, para a degradação da audição assim, e com o principal objectivo de sensibilizar mas também de desmistificar a deficiência auditiva, este será o tema central da 3ª edição de conferências Deaf Talks.

“A exposição a ruídos e sons intensos pode causar dois tipos de perda auditiva traumática, a temporária e permanente. A perda auditiva temporária é mais comum e ocorre quando se está exposto a ruídos de grande intensidade. Nesse caso, a audição recupera em geral espontaneamente, dependendo da intensidade do ruído e do tempo de exposição. Já a perda auditiva de carácter permanente só é experimentada após 48 horas de exposição a excessivos ruídos por um longo período de tempo, embora possa também ocorrer se a pessoa estiver exposta a níveis sonoros elevadíssimos por um período curto de tempo.” Fonte Hear-it.org

Os já conhecidos ciclos de conferências Deaf Talks inserem-se num conjunto de iniciativas mundiais promovidas anualmente no mês de Setembro, mês mundial da pessoa com perda auditiva. Esta iniciativa visa sensibilizar e informar a população sobre a problemática da perda auditiva, com testemunhos de profissionais ligados à área da audição, pessoas com problemas auditivos e responsáveis de organizações ligadas à temática da perda auditiva. Não se tratam de conferências exclusivamente especializadas, mas também de testemunhos inspiradores de como os impactos de ser portador de uma deficiência auditiva podem ser minimizados, de relatos reais de como é viver com um perda de audição e em que medida a prevenção pode ser decisiva na preservação de audição.

Evelyn Glennie (o sucesso e o prémio)

“Ainda olho para a música como uma criança, sempre com uma ideia e se…e se…os meus instrumentos de percurssão são os meus ingredientes e é o meu trabalho combiná-los da melhor forma (…) Aos 12 anos, quando já tocava percurssão, foi-me diagnosticada surdez profunda bilateral(…) No meio das dificuldades que a situação implicou eu percebi que embora não conseguisse captar o som através dos meus ouvidos, sem dúvida que o conseguia captar através do meu corpo(…). O tempo de reconhecimento é um momento de fazer uma pausa e olhar para o caminho percorrido. Nesta altura eu sinto uma grande vontade de fazer mais e continuar o meu caminho”
Fonte: Polar Music Prize

Zé Pedro (A prevenção auditiva)

(…)“A partir de determinada altura, com o aparecimento de tecnologia no mercado para proteção dos ouvidos, claro que a partir daí os músicos têm a obrigação de se proteger. O nosso baterista toca muito forte, o Kalú é uma força da natureza, portanto se o baterista toca muito forte e alto, há tendência a todos nós subirmos o som dos amplificadores. Mas em cima do palco, somos uma banda que toca muito alto, é normal e sempre fomos habituados assim. Agora realmente há condições para nos protegermos, através dos in ears e de podermos continuar a tocar alto e não sofrermos com isso.” (…)
Fonte: Revista Blitz Julho 15

Este é, sem dúvida, o ponto diferenciador das Deaf Talks: a capacidade inédita de reunir e incluir na mesma iniciativa pessoas com deficiência auditiva, associações de pacientes (Associação APAIC, Associação OUVIR, Associação Portuguesa de Surdos), profissionais de saúde (médicos otorrinolaringologistas, audiologistas, terapeutas da fala, entre outros) e entidades responsáveis (Câmara Municipal de Lisboa, Instituto Nacional para a reabilitação, Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, Lions Club International) permitindo a todos a partilha de experiências vividas na primeira pessoa.

MÚSICA PARA OS SEUS OUVIDOS contará com a presença e actuação de nomes internacionais e nacionais que abraçam a causa da prevenção e darão ritmo às conversas sobre o tema. As inscrições são gratuitas, para 450 lugares disponíveis na plateia, podem ser feitas através de: www.deaftalks2015.admeus.net

Alinhamento do programa e alguma informação dos participantes:

16h00 às 19h30 – Ciclo de palestras com os seguintes convidados:

  • Evelyn Glennie – Testemunho e número musical (Percursionista surda profunda desde os 12 anos, Prémio Polar 2015)
  • Prof. Nuno Trigueiros – O ruído e a importância da prevenção auditiva
  • Alexandre Nogueira Costa – Testemunho
  • Projeto Entoações – CED Jacob Rodrigues Pereira – Casa Pia de Lisboa
  • Paula Teixeira e Diana Botelho Vieira: actuação musical documentário Verso da Fala e testemunho
  • Coffe Break
  • Guilherme Gouveia – Testemunho DJ
  • António Oliveira: Academia de Capoeira Beija Flor
  • André Jorge Capelo– – Testemunho
  • Catarina Carvalho – (mãe de criança com deficiência auditiva)
  • Kalú – (testemunho); Zé Pedro e Gui (número musical) +Testemunho

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