Financiar uma compra em Portugal pode custar entre 5,1% e 18,5% ao ano, o triplo, dependendo apenas do tipo de crédito escolhido. Os valores são os tetos máximos de TAEG fixados pelo Banco de Portugal para o 3.º trimestre de 2026 e revelam algo que a maioria dos consumidores desconhece: antes de decidir o que comprar, vale a pena perceber como pagar, porque a diferença entre a solução de financiamento certa e a errada pode custar mais do que qualquer desconto que tenha negociado na loja.
O teto dos juros muda consoante o que compra
O Banco de Portugal publica a cada trimestre as taxas máximas (TAEG) que as instituições podem cobrar em cada categoria de crédito ao consumo. Para compras feitas entre julho e setembro de 2026, os limites são estes:
| O que vai financiar | TAEG máxima (3.º trim. 2026) |
| Automóvel novo (locação financeira/ALD) | 5,1% |
| Automóvel usado (locação financeira/ALD) | 6,6% |
| Educação, saúde, transição energética | 8,9% |
| Automóvel novo (compra a prestações) | 10,9% |
| Automóvel usado (compra a prestações) | 14,1% |
| Crédito pessoal (obras, lar, outras finalidades) | 15,3% |
| Cartões de crédito e descobertos | 18,5% |
Duas leituras práticas desta tabela. Primeiro: comprar um carro usado a prestações pode custar quase o triplo, em juros, de um carro novo em leasing, a modalidade pesa tanto quanto o preço do veículo. Segundo: o cartão de crédito é, por larga margem, a forma mais cara de financiar seja o que for; usá-lo para pagar obras ou um eletrodoméstico em prestações sucessivas é trocar a solução mais adequada pela mais cara do mercado.
Importa sublinhar que estes valores são tetos legais, não os preços praticados: entre instituições, as propostas para o mesmo crédito variam bastante e, é precisamente aí que a comparação faz diferença.
O prazo também é um preço: o exemplo das obras
Nas compras maiores, a tentação natural é alargar o prazo para baixar a prestação. Mas o prazo tem custo. Veja-se um exemplo: um crédito pessoal de 5.000€ para obras, a uma taxa de 9%:
- A 3 anos: prestação de cerca de 159€, custo total próximo de 5.720€
- A 5 anos: prestação de cerca de 104€, custo total próximo de 6.230€
Baixar a prestação em 55€ por mês custa, neste exemplo, mais de 500€ adicionais em juros até ao fim do contrato. Nenhuma das opções é errada, depende do orçamento de cada família, mas a escolha deve ser feita com os dois números à vista: a prestação e o custo total (o chamado MTIC).
Dois indicadores para comparar qualquer financiamento
TAEG: a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global agrega juros, comissões, impostos e seguros obrigatórios num único indicador; é o número certo para comparar propostas entre instituições, porque duas prestações iguais podem esconder custos totais muito diferentes.
MTIC: o Montante Total Imputado ao Consumidor responde à pergunta essencial: quanto vou pagar, ao todo, do primeiro ao último mês? É o indicador que torna visível o custo real de alargar o prazo.
Ambos constam obrigatoriamente da documentação pré-contratual que qualquer instituição tem de entregar antes da assinatura e é com eles, não com a publicidade, que se comparam propostas.
Segundo a e-loan (EasyFinance, Lda.), intermediário de crédito vinculado registado no Banco de Portugal com o n.º 0001398, que em 13 anos de atividade já acompanhou mais de 80 mil créditos, as finalidades mais comuns nos créditos pessoais intermediados este ano, ou o erro mais frequente, é financiar compras no cartão de crédito ou aceitar o financiamento proposto no stand/loja sem comparar.
Comparar antes de comprar, também no financiamento
A boa notícia é que comparar financiamento deixou de exigir visitas a balcões. Uma simulação online mostra em minutos a prestação, a TAEG e o custo total de diferentes cenários e um intermediário de crédito vinculado pode depois apresentar o mesmo pedido a várias instituições em simultâneo, sem custos para o consumidor, já que a sua remuneração é paga pelas instituições financeiras.
Para quem está a planear uma compra, o simulador de crédito pessoal da e-loan permite testar montantes, prazos e cenários antes de qualquer compromisso e perceber, com números, qual a forma mais equilibrada de concretizar o projeto.
Porque comprar bem não acaba na escolha do produto: a forma de pagamento é a última decisão de compra e, muitas vezes, a mais cara.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é a forma mais cara de financiar uma compra?
O cartão de crédito e as facilidades de descoberto, cuja TAEG máxima legal é de 18,5% no 3.º trimestre de 2026, o valor mais alto entre todas as categorias de crédito ao consumo fixadas pelo Banco de Portugal. Para compras planeadas de maior valor, um crédito pessoal ou automóvel tem geralmente custos bastante inferiores.
O que devo comparar num crédito pessoal?
Dois indicadores: a TAEG, que agrega juros, comissões e seguros num valor anual comparável entre instituições, e o MTIC, que mostra o total a pagar até ao fim do contrato. A prestação mensal, sozinha, pode esconder um prazo longo e um custo total elevado.
Alargar o prazo do crédito compensa?
Depende do orçamento. Um prazo maior baixa a prestação, mas aumenta o custo total: num crédito de 5.000€ a 9%, passar de 3 para 5 anos reduz a prestação em cerca de 55€ mas acrescenta mais de 500€ em juros. A decisão deve ser tomada com o MTIC à vista.
As taxas máximas do Banco de Portugal são as taxas que vou pagar?
Não. São os tetos legais que nenhuma instituição pode ultrapassar em novos contratos, atualizados a cada trimestre. As taxas efetivamente propostas variam de instituição para instituição, por isso comparar propostas pode representar uma poupança significativa.
Um intermediário de crédito tem custos para o consumidor?
No modelo de intermediação vinculada, como o da e-loan, registada no Banco de Portugal com o n.º 0001398, o serviço é gratuito para o cliente: a remuneração é paga pelas instituições financeiras parceiras.
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