Novas técnicas de Ressonância Magnética permitem detetar alterações num pigmento denominado neuromelanina, numa fase inicial da evolução da doença de Parkinson
As observações possibilitaram diferenciar doentes que sofrem de Parkinson, de doentes que sofrem de outras doenças como o Tremor Essencial
Neurologistas do Campus Neurológico (CNS), centro português dedicado a doenças neurológicas, coordenaram estudo pioneiro que demonstra que novas técnicas de Ressonância Magnética ajudam a diagnosticar a Doença de Parkinson. Esta investigação conta com a participação de diversos neurologistas do CNS, incluindo a do Diretor Clínico do Campus, o Professor Doutor Joaquim Ferreira, médico neurologista e investigador na área das doenças do movimento.
Estas novas técnicas de Ressonância Magnética permitiram já detetar alterações num pigmento denominado neuromelanina, o qual se encontra localizado numa zona do cérebro designada por substância nigra, numa fase inicial da evolução da doença de Parkinson.
Por outro lado, as observações realizadas a este pigmento possibilitaram ainda diferenciar doentes que sofrem de Parkinson, dos que sofrem de outras doenças, como o Tremor Essencial, em que não foram documentadas alterações do sinal correspondente à neuromelanina.
O Tremor Essencial é uma doença do movimento muito comum que não apresenta marcadores de diagnóstico, o que significa que a distinção entre esta alteração do movimento e a doença de Parkinson pode, nalguns casos, principalmente nos estádios iniciais da doença, ser clinicamente desafiante.
Esta distinção torna-se então essencial para realizar um diagnóstico mais preciso e definir o tipo de tratamento a ser realizado pelo doente. O estudo em questão vem assim ajudar a validar ou não o diagnóstico da Doença de Parkinson.
A imagem por Ressonância Magnética já tinha sido utilizada na identificação de mudanças da neuromelanina na substância nigra (local do mesencéfalo responsável pela produção de dopamina no cérebro) de doentes de Parkinson. Contudo, este estudo é o primeiro a investigar esta substância em pessoas que sofriam de Tremor Essencial.
Os investigadores conseguiram caracterizar mudanças de sinal da neuromelanina em doentes com Doença de Parkinson e avaliar o papel desta técnica de Ressonância na diferenciação de doentes com Tremor Essencial.
O Professor Doutor Joaquim Ferreira, Diretor Clínico do CNS, explica “Esta investigação pioneira é um contributo importante para aumentar a certeza no diagnóstico da Doença de Parkinson. Os resultados destes estudos sugerem que estas novas técnicas de Ressonância Magnética podem vir a tornar-se numa ferramenta de diagnóstico muito útil para a diferenciação entre a Doença de Parkinson e o Tremor Essencial nas fases inicias de evolução destas doenças.”
Quanto à análise da neuromelanina por Ressonância Magnética, é seguro afirmar que este exame de diagnóstico não apresenta efeitos adversos relevantes para os doentes, visto não utilizar radiação ionizante, pelo que pode vir a ser amplamente utilizada.
Numa altura em que se estima que em Portugal existam cerca de 18 mil pessoas com Parkinson, é importante alertar para este problema e informar acerca dos avanços que estão a ser feitos relativos a esta área clínica.
ShoppingSpirit News Marcas e Produtos em notícia