Tempestades Penalizam Exportações de Frutas e Legumes no Primeiro Semestre

As exportações portuguesas do setor das frutas, legumes, plantas ornamentais e flores registaram um recuo de 3,5% em valor e de 5,9% em quantidade durante o primeiro semestre de 2026, em comparação com o período homólogo. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística compilados pela Portugal Fresh, as vendas para os mercados internacionais totalizaram 1226 milhões de euros e 747 mil toneladas entre janeiro e junho. Em contrapartida, as importações subiram 4,2% em valor e 2,8% em quantidade, o que elevou o défice da balança comercial do setor para além dos 300 milhões de euros.

A quebra no desempenho das exportações é atribuída aos estragos provocados pelas tempestades Ingrid, Joseph e Kristin no início do ano, que resultaram na destruição de culturas, estufas e infraestruturas de rega, reduzindo a quantidade de produto disponível para os mercados externos. Além dos impactos climáticos, a associação aponta a assimetria nos apoios estatais face a mercados concorrentes como Espanha, onde os produtores contaram com subsídios ao gasóleo agrícola e aos fertilizantes. Atualmente, Espanha representa 37% das exportações nacionais do setor (446 milhões de euros) e 57% das importações (870 milhões de euros), gerando um saldo negativo superior a 400 milhões de euros no comércio ibérico.

O presidente da Portugal Fresh, Gonçalo Santos Andrade, sublinha a conjuntura difícil vivenciada pelos produtores ao referir que “os números do primeiro semestre já eram esperados, uma vez que resultam, sobretudo, do impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano e, naturally, de avultados prejuízos para os produtores tendo em conta as ajudas mínimas por parte da União Europeia e do Governo. Preocupante é também o agravamento da balança comercial, que ultrapassou os 300 milhões de euros. No entanto, acreditamos que é possível atingir novamente 2,6 mil milhões de exportações registadas em 2025 até final do ano”.

Apesar do cenário adverso verificado na primeira metade do ano, a associação mantém uma perspetiva positiva para o segundo semestre. A Portugal Fresh perspetiva uma retoma no ritmo de produção e no volume de vendas externas, sustentada pela procura em mercados estratégicos como Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido.

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