Algumas doenças em medicina veterinária destacam-se pela sua natureza silenciosa, desenvolvendo-se de forma lenta e sem manifestações clínicas claras nas fases iniciais. É o caso dos tumores do ovário em cadelas, que podem evoluir sem sinais externos evidentes durante longos períodos, o que torna a sua deteção precoce um verdadeiro desafio para os tutores.
Esta condição afeta sobretudo as fêmeas idosas não esterilizadas, devido à exposição hormonal prolongada ao longo da vida. Contudo, o problema não é exclusivo deste grupo, podendo surgir em qualquer cadela, independentemente da idade ou historial reprodutivo. “A grande dificuldade nestes casos é que o organismo pode manter uma aparência funcional durante muito tempo, mesmo na presença de alterações internas significativas”, explica António Dias, médico veterinário na Clinicanimal, as clínicas da Tiendanimal.
Os principais sinais de alerta
Por terem um caráter pouco específico, os sintomas iniciais são fáceis de confundir com outras alterações de saúde ou com o próprio envelhecimento. Estar atento aos pequenos detalhes no dia a dia é fundamental:
- Alterações reprodutivas: Irregularidades nos cios, mudanças na sua duração ou a ausência completa de manifestação são sinais subtis frequentemente desvalorizados e confundidos com variações hormonais normais.
- Sinais gerais e fadiga: Diminuição do apetite, perda gradual de condição corporal, cansaço ou a redução da atividade habitual.
- Aumento do volume abdominal: Um crescimento discreto e progressivo da zona da barriga que pode ser confundido com aumento de peso ou retenção de líquidos. A ausência de dor aguda faz com que esta alteração seja muitas vezes subvalorizada.
- Desconforto localizado: Reação ao toque ou sensibilidade na região abdominal, com a cadela a evitar o contacto nessa zona ou a apresentar alterações na postura.
- Secreção vaginal anormal: O aparecimento de perdas vaginais fora do padrão habitual, que variam em aspeto e quantidade, deve ser sempre interpretado como um sinal de alerta.
A importância da prevenção
Uma vez que o organismo consegue disfarçar estas alterações internas durante muito tempo, o acompanhamento médico torna-se a melhor ferramenta de prevenção. As consultas veterinárias regulares permitem integrar a observação do tutor com o exame clínico e recorrer, sempre que necessário, a métodos de diagnóstico imagiológico para identificar precocemente qualquer anomalia. Garantir uma vigilância clínica constante e atenta é o passo mais importante para proteger a saúde e a qualidade de vida da sua companheira de quatro patas.
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