O fim do ano letivo altera por completo o quotidiano das famílias, marcando o desaparecimento dos horários rígidos e das atividades estruturadas. Embora esta transição seja vista pelas crianças como um período de libertação, a ausência total de planeamento nos meses de verão pode comprometer a qualidade do sono, potenciar o sedentarismo e aumentar significativamente o tempo passado em frente aos ecrãs, refletindo-se na gestão emocional dos mais novos.
Os especialistas da Sanitas sublinham que a flexibilidade é bem-vinda, mas advertem que o organismo infantil necessita de alguma estabilidade para manter um ritmo equilibrado. Jorge Buenavida, psicólogo da Blua de Sanitas, explica que a falta de constância nos horários dificulta a diferenciação entre os momentos de atividade e os de descanso, o que torna a convivência familiar mais propensa a conflitos.
Uma das maiores preocupações dos pediatras prende-se com a desregulação do sono. Segundo as diretrizes da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), as crianças em idade escolar devem dormir entre 9 e 12 horas diárias, ao passo que os adolescentes necessitam de 8 a 10 horas de descanso para assegurar um desenvolvimento físico e cognitivo saudável. O prolongamento de horários tardios durante várias semanas resulta frequentemente em episódios de irritabilidade e acentua a dificuldade em retomar a normalidade com a aproximação do novo ano letivo.
Para mitigar estes impactos, os especialistas recomendam a adoção de estratégias simples mas eficazes a partir das primeiras semanas de férias. Manter um horário de acordar relativamente estável ajuda a regular o descanso noturno, sem a necessidade de replicar a rigidez do período de aulas. Do mesmo modo, o respeito pela regularidade das refeições principais funciona como um pilar de orientação temporal indispensável para que o dia não perca a sua estrutura básica.
A promoção de atividades ao ar livre com exposição à luz natural e a prática de exercício físico adaptado às temperaturas de verão surgem também como recomendações cruciais para combater a inatividade. Adicionalmente, os profissionais de saúde aconselham a contratualização de limites claros no uso de dispositivos eletrónicos, sugerindo o afastamento de ecrãs de luz intensa nas horas que precedem o sono para evitar discussões e assegurar uma noite tranquila.
Sempre que se perspetive uma alteração na dinâmica familiar, como a partida para um acampamento ou uma viagem, as mudanças de horário devem ser introduzidas de forma progressiva nos dias anteriores para atenuar a resistência da criança. Atividades relaxantes ao final do dia, como uma leitura partilhada ou uma conversa calma, ajudam o cérebro a associar o momento ao repouso. Em suma, as férias devem ser encaradas como uma oportunidade de descanso e ganho de autonomia, desde que assentes numa estrutura mínima que salvaguarde a saúde física e mental dos mais pequenos.
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